Locomotiva 02049 no Museu de Nine, em 2016. | |
Descrição | |
Propulsão | Vapor |
Fabricante | William Fairbairn & Sons |
Tipo de serviço | Rápidos, suburbanos, manobras |
Características | |
Bitola | Bitola ibérica |
Operação | |
Ano da entrada em serviço | 1857 |
A Série 02049 foi um tipo de locomotiva a tracção a vapor, utilizada em Portugal. Foi uma das primeiras locomotivas em território nacional, e é a mais antiga preservada no país.[1]
História
[editar | editar código fonte]Foi construída em 1856 pela fábrica inglesa William Fairbairn & Sons, e adquirida no ano seguinte como parte de um conjunto de locomotivas destinadas originalmente à Linha do Leste, que então unia Lisboa a Elvas.[2] Assim, foi uma das primeiras locomotivas a circular em Portugal.[1] Trabalhou durante mais de um século, tendo sido responsável pelos primeiros serviços rápidos entre a estação de Santa Apolónia, em Lisboa, a Vila Nova de Gaia.[2] Em 1877 rebocou o comboio inaugural da Ponte Dona Maria Pia, no Porto.[1] Também assegurou durante vários anos os serviços entre Porto e Braga.[2] Rebocou o comboio que transportou os aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral ao longo do seu percurso em Portugal, na sequência da primeira travessia aérea entre Portugal e o Brasil.[2] Foi igualmente utilizada em manobras, e na construção das linhas férreas do Minho e Douro.[2] Em 28 de Abril de 1957 participou num desfile de material circulante entre Lisboa-Santa Apolónia e o Carregado, como parte da cerimónia de inauguração da tracção eléctrica naquele lanço, e integrado nas comemorações do centenário da abertura do primeiro caminho de ferro em Portugal.[3] Durante a cerimónia, a locomotiva rebocou dois veículos históricos: o vagão J n.º 1, construído em 1875, e o chamado Vagão do Príncipe, que fazia parte do comboio real, e que foi fabricado em 1877.[3]
Em 1977 foi guardada na secção museológica de Braga, de onde foi transportada para Nine em 2002.[2] Em Maio desse ano, a Câmara Municipal de Famalicão anunciou que a locomotiva iria ser alvo de um profundo processo de restauro, tendo explicado que iria «viajar até às instalações do Museu Nacional Ferroviário, onde irá beneficiar de um processo de recuperação e restauro a efetuar pelos técnicos competentes, num processo coordenado pela Fundação do Museu Nacional Ferroviário».[2] Esta intervenção resultou de uma parceria entre autarquia, a a Fundação do Museu Nacional Ferroviário e a Junta de Freguesia de Nine, de forma a alcançar «uma posição conjunta, que vai permitir a realização de uma intervenção de restauro há muito aguardada e que só agora se vai concretizar».[2] Aproveitando a sua deslocação para o Entroncamento, a locomotiva seria igualmente exposta no evento Automobilia, dedicado aos meios de transporte antigos, que foi organizado no Parque de Feiras de Aveiro.[4] Após a conclusão do restauro, a locomotiva deveria ser preservada num novo espaço que estava então a ser planeado, o Museu Ferroviário de Lousado.[5]
É a locomotiva mais antiga preservada em território nacional.[1]
Descrição
[editar | editar código fonte]Foi a única locomotiva em Portugal do tipo saddle-tank, em que o tanque de água está em cima da caldeira, sendo assim em forma de selim.[1] Desta forma, a água no tanque era pré-aquecida pelo calor que saía da caldeira, durante a operação da locomotiva.[3] Esta tipologia operou principalmente no Reino Unido, onde eram utilizadas em zonas industriais, sendo relativamente difíceis de encontrar nos museus ferroviários internacionais.[1] Conta com três rodados, dos quais um, o do motor, apresenta rodas com um diâmetro muito superior.[3]
Tinha o nome de Andorinha.[4]
Ficha técnica
[editar | editar código fonte]- Tipo de locomotiva: Tanque com sela
- Bitola: Ibérica (1668 mm)
- Fabricante: William Fairbairn & Sons
- Operadoras: Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal e Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses / Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses
- Números de série: CPMD 17 e CPMD 18 (1874 - 1891); CPMD 13 (1901 - 1904); CPMD 49 (1904 - 1931); CPMD 02049 (1931 - 1951)
- Esforço de tracção: 1700 m³
- Tara: 28 T
- Aprovisionamento: 2000 ℓ de água e 1500 kg de carvão
- Número de unidades construídas: 1 (02049)
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ a b c d e f MARTINS et al, 1996:86
- ↑ a b c d e f g h NEVES, Rui (13 de Maio de 2019). «Andorinha: a mais antiga locomotiva portuguesa vai ser restaurada». Jornal de Negócios. Consultado em 28 de Fevereiro de 2025
- ↑ a b c d «As cerimónias de inauguração da tracção eléctrica no troço Lisboa-Carregado e na Linha de Sintra» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1665). Lisboa. 1 de Maio de 1957. p. 170. Consultado em 1 de Março de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
- ↑ a b SANTANA, Maria José (12 de Maio de 2019). «A mais antiga locomotiva a vapor em Portugal viaja até Aveiro. E não vem sozinha». Aveiro Mag. Consultado em 28 de Fevereiro de 2025
- ↑ «A "Andorinha", a mais antiga locomotiva a vapor, vai ser restaurada». Entroncamento Online. 14 de Maio de 2019. Consultado em 1 de Março de 2025
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas
Ligações externas
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