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Xerentes

Xerentes
Akwê
Mulher xerente (2009)
População total
3 964
Regiões com população significativa
 Brasil3 964
       Tocantins3 964[1]
Línguas
Akuwen
língua portuguesa
Religiões
Cristianismo
  
80%
  
20%
Etnia
Jês[1]
Grupos étnicos relacionados
Xavantes

Os xerentes (autodenominados Akwê, que significa "indivíduo", "gente importante")[3] são um grupo indígena que habita a margem direita do Rio Tocantins, próximo à cidade de Tocantínia, no estado do Tocantins, no Brasil. Sua população, atualmente, é de 3 509 pessoas, distribuídas em 33 aldeias que integram as reservas indígenas Xerente e Funil, com 183 542 hectares de área demarcada. Falam a língua akuwen, pertencente ao tronco linguístico macro-jê. Formam, junto com os índios xavantes, um grupo maior: os acuéns.[4]

A tradição oral dos xerentes sugere a hipótese de que, em tempos passados, eles viveram junto ao mar,[5] tendo, em algum momento, migrado através das terras secas da Região Nordeste do Brasil até alcançar a região do atual estado de Tocantins. Nessa região, no século XVII, se deu o primeiro contato com os não índios, através da chegada de missionários jesuítas e das entradas e bandeiras. No século XVIII, com a descoberta do ouro na capitania de Goiás, intensificou-se a colonização de origem europeia, e a coroa portuguesa criou aldeamentos visando a reunir e pacificar as diversas etnias indígenas da região. No século XIX, o império do Brasil continuou a política de criar aldeamentos indígenas na região. Um deles, o de Teresa Cristina, administrado pelos capuchinhos, daria origem ao atual município de Tocantínia.

Nesse mesmo século, se deu a separação entre xavantes e xerentes: os xavantes migraram para o oeste, em direção a Mato Grosso, e os xerentes permaneceram no Tocantins. Uma versão diz que, da região do Morro Perdido, no rio Araguaia, teriam se originado os atuais povos xavantes, craós e carajás, e que os xerentes teriam permanecido na região até hoje.[6]

O século XX foi marcado pela difícil sobrevivência da etnia, que viu seu território tradicional ser constantemente invadido por fazendeiros e posseiros.

Em 1972, os xerentes conseguiram ter sua primeira área demarcada, registrada nos documentos da Fundação Nacional do Índio como "Área Grande". Em 1992, conseguiram sua segunda área demarcada, "Funil".[5]

A economia xerente tradicional se baseia na coleta, caça e pesca, com a agricultura (milho, arroz, mandioca) à margem dos rios tendo um caráter secundário. Com o escasseamento atual da fontes naturais, no entanto, vem adquirindo importância o artesanato como fonte alternativa de renda. São hábeis no artesanato em trançado. Com a palha de babaçu e a seda do buriti, produzem cestas, balaios, bolsas, esteiras e enfeites para o corpo. Também fabricam bordunas, arcos, flechas etc.[6]

As principais festas dos xerentes são: a corrida de toras de buriti; a festa de dar nomes (Wakê); Homenagem aos mortos (Kuprê); a festa do tamanduá-bandeira (Padi); e Feira de Sementes do Cerrado.[6]

A cultura xerente se baseia no dualismo, ou seja, numa divisão em duas metades sociocosmológicas - Doí e Wahirê - associadas respectivamente ao Sol e Lua, os heróis míticos fundadores da sociedade xerente. A metade wahirê da tribo pinta seu corpo com traços, enquanto a metade doí pinta seu corpo com círculos, com o auxílio de um carimbo feito com o miolo do tronco de buriti.[5]

A língua aquém é falada por todos os xerentes. A língua portuguesa só é utilizada pelos adultos, quando falam com não índios.[5]

O ensino escolar formal nas aldeias vai do primeiro ao quarto ano do ensino fundamental, e é ministrado por professores indígenas. Se o aluno quer prosseguir nos estudos, é obrigado a estudar em escolas fora da aldeia.[5]

Referências

  1. a b «Xerente - Povos Indígenas no Brasil». pib.socioambiental.org. Consultado em 18 de junho de 2025 
  2. Project, Joshua. «Xerente in Brazil». joshuaproject.net (em inglês). Consultado em 18 de junho de 2025 
  3. Indígenas xerente. Disponível em https://bombeiros.to.gov.br/noticia/2018/10/10/indigenas-xerente-recebem-projeto-bombeiros-em-acao/. Acesso em 25 de janeiro de 2019.
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 797.
  5. a b c d e Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Não_nomeado-yS6--1
  6. a b c Povos indígenas do Brasil. Disponível em http://povosindigenasdobrasil.blogspot.com/2014/08/os-akwe-xerente.html. Acesso em 25 de janeiro de 2019.

Ligações externas

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