Sulpícia (gente)

 Nota: Para outros significados, veja Sulpícia.

A gente Sulpícia (em latim: Sulpicius; pl. Sulpicii) era uma das mais antigas gentes patrícias da Roma Antiga e produziu alguns dos mais destacados magistrados romanos, da fundação da República até o período imperial. O primeiro membro da gente a chegar ao consulado foi Sérvio Sulpício Camerino Cornuto, em 500 a.C., apenas nove anos depois da expulsão dos Tarquínios, e o último a aparecer nos Fastos Consulares foi Sexto Sulpício Tértulo, em 158 d.C.. Embora originalmente patrícia, a gente também tinha famílias plebeias, alguns dos quais possivelmente descendentes de libertos da gente.[1]

Prenomes

Os Sulpícios empregavam regularmente apenas quatro prenomes ("praenomina"): Públio, Sérvio, Quinto e Caio. O único outro prenome utilizado na época republicana foi Marco, conhecido apenas no caso do pai de Caio Sulpício Pético, cônsul por cinco vezes no século IV a.C.. O último cônsul da gente, no século II, chamava-se Sexto, um prenome desconhecido até então nesta gente.[1]

Ramos e cognomes

Durante o período republicano, diversas famílias (ramos) da gente Sulpícia eram identificados pelos numerosos cognomes (em latim: cognomina), incluindo Camerino ("Camerinus"), Cornuto ("Cornutus"), Galba, Galo ("Gallus"), Longo ("Longus"), Patérculo ("Paterculus"), Pético ("Peticus"), Pretextato ("Praetextatus"), Quirino ("Quirinus"), Rufo ("Rufus") e Saverrião ("Saverrio"). Além destes, existem ainda outros cognomes pertencentes às famílias plebeias ou a famílias do período imperial. Em moedas, apenas quatro foram encontrados: Galba, Platorino ("Platorinus"), Proclo ("Proclus") e Rufo.[1]

"Camerino" era o cognome de uma antiga família da gente Sulpícia provavelmente derivado da antiga cidade de Cameria, no Lácio. Muitos dos membros ostentavam ainda o agnome "Cornuto", derivado de um adjetivo latino que significa "chifrudo". Os Camerinos frequentemente ocuparam os postos mais altos do estado nos primeiros anos da República, mas, depois de 345 a.C., quando Sérvio Sulpício Camerino Rufo foi cônsul, a família desapareceu completamente dos registros por quase 400 anos, quando Quinto Sulpício Camerino foi eleito cônsul em 9 d.C.. A família era reconhecida como uma das nobres de Roma nos primeiros anos da República.[1]

Os Pretextatos apareceram na segunda metade do século V a.C. e parece ter sido uma família pequena, descendente dos Camerinos. Seu nome provavelmente era uma derivação de vários significados relacionados. "Praetextus" geralmente era uma referência a roupas com uma barra decorativa, especialmente a toga pretexta, uma toga com uma barra púrpura vestida pelos jovens e magistrados. Algo escondido ou velado também podia ser descrito como "praetextatus".[1][2][3]

Os Longos floresceram durante o século IV a.C., da época do saque gaulês de Roma, em 390/387 a.C., até as Guerras Samnitas. É provável que o cognome, que significa "alto" ou "longo", tenha sido dado a um ancestral da família que era particularmente alto.[1][3]

O cognome Rufo, que significa "vermelho", provavelmente era uma referência à cor do cabelo de um dos Sulpícios e é possível que tenha sido dado ao fundador de um ramo cadete dos Camerinos, uma vez que ambos os cognomes foram novamente reunidos em Sérvio Sulpício Camerino Rufo, o cônsul em 345 a.C.[1]

"Galo" era o cognome de uma família dos séculos III e II a.C. e pode ser uma referência a um galo ou aos gauleses. O maior expoente desta família, Caio Sulpício Galo, foi um vitorioso general e um grande estadista que se destacou também como acadêmico e orador. Era muito admirado por Cícero.[1]

Os Galbas apareceram pela primeira vez nos registros durante a Segunda Guerra Púnica e permaneceram em destaque até o século I, quando Sérvio Sulpício Galba tomou para si o título de imperador romano. O cognome pode compartilhar uma raiz com o adjetivo "galbinus", a cor amarelo-esverdeado, embora o significado exato para a família Sulpícia seja incerto.[1][3]

Membros

Sulpícios Camerinos

Sulpícios Praetextatos

Sulpícios Péticos

Sulpícios Longos

Sulpícios Rufo

Sulpícios Saverriões

  • Públio Sulpício Saverrião, cônsul em 304 e censor em 299 a.C., triunfou sobre os samnitas.
  • Públio Sulpício Saverrião, cônsul em 279 a.C., durante a Guerra Pírrica.

Sulpícios Patérculos

Sulpícios Galos

  • Caio Sulpício Galo, cônsul em 243 a.C.[25][26]
  • Caio Sulpício Galo, um grande acadêmico; como cônsul, em 166 a.C., trinfou sobre os lígures.[25][27]
  • Quinto Sulpício Galo, morreu muito jovem e sua morte foi suportada por seu pai com grande bravura segundo Cícero.[28]
  • Galo Sulpício, cônsul sufecto em 4 a.C.. Acredita-se ser um descendente do cônsul em 166 a.C..
  • G alo Sulpício, filho do cônsul sufecto em 4 a.C., foi triúnviro monetário em 5 a.C..

Sulpícios Galbas

  • Públio Sulpício Galba Máximo, cônsul em 211 e 200 a.C.; ditador em 203 a.C..
  • Sérvio Sulpício Galba, edil curul em 208 a.C. e pontífice em algum momento depois, no lugar de Fábio Máximo.
  • Caio Sulpício Galba, eleito pontífice em 201 a.C. no lugar de Tito Mânlio Torquato, mas morreu antes de 198 a.C.[29]
  • Sérvio Sulpício Galba, pretor urbano em 187 a.C..
  • Caio Sulpício Galba, pretor urbano em 171 a.C.[30]
  • Sérvio Sulpício Galba, cônsul em 144 a.C., um notável orador, processado por suas atrocidades contra os lusitanos em 150 a.C..
  • Sérvio Sulpício Galba, cônsul em 108 a.C..
  • Caio Sulpício Galba, questor em 120 a.C. e pontífice depois, condenado pela lex Mamilia de 110 a.C..
  • Públio Sulpício Galba, nomeado um dos juízes no caso de Caio Verres, em 70 a.C., foi pontífice e áugure.
  • Sérvio Sulpício Galba, pretor urbano em 54 a.C. e amigo de Júlio César; é possível que tenha sido um de seus assassinos.
  • Sulpício Galba, um historiador menor e avô do imperador Galba; foi pretor, mas em ano incerto.[31]
  • Caio Sulpício Galba, cônsul sufecto em 5 a.C.[32]
  • Caio Sulpício Galba, cônsul em 22, pai do imperador Galba.
  • Caio Sulpício Galba, irmão do imperador Galba.[1][31]
  • Sérvio Sulpício Galba, cônsul em 33 e imperador em 69.

Outros

Figuras cristãs posteriores

Referências

  1. a b c d e f g h i j Smith, Sulpicii
  2. T. Robert S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (1952).
  3. a b c D.P. Simpson, Cassell's Latin & English Dictionary (1963).
  4. Lívio, Ab Urbe Condita ii. 19.
  5. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas v. 52, 55, 57, vi. 20.
  6. Cícero, Brutus 16.
  7. João Zonaras, Epitome Historiarum, vii. 13.
  8. Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas vii. 68, viii. 22.
  9. Lívio, Ab Urbe Condita vi. 22, 27.
  10. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica xv. 41.
  11. Lívio, Ab Urbe Condita vii. 28.
  12. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica xvi. 66.
  13. Tácito, Anais xiii. 52.
  14. Dião Cássio, História Romana lxiii. 18.
  15. Plínio, Epístolas v. 3.
  16. Lívio, Ab Urbe Condita iv. 23.
  17. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica xii. 53.
  18. Lívio, Ab Urbe Condita vi. 32-34, 36, 38.
  19. Barthold Georg Niebuhr, History of Rome, iii. pp. 2, 3.
  20. Tácito, Historiae, iv. 42.
  21. Lívio, Ab Urbe Condita vi. 4, 18, 21.
  22. Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis vi. 7. § 3.
  23. Apiano, Bellum Civile iv. 39.
  24. Cícero, Pro Murena 26, 27; Epistulae Atticum ix. 18, 19, x. 14; Epistulae Familiares, iv. 2; Philippicae ix. 5.
  25. a b c d Fastos Capitolinos.
  26. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Fragmenta Vaticana’’, p. 60, ed. Dinsdorf.
  27. Lívio, Ab Urbe Condita xlv. 44.
  28. Cícero, De Oratore, i. 53, Brutus, 23, Laelius de Amicitia, 2, 6, Epistulae Familiares, iv. 6.
  29. Lívio, Ab Urbe Condita xxx. 39, xxxii. 7.
  30. Lívio, Ab Urbe Condita xlii. 28, 31.
  31. a b Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Galba, 3.
  32. Oliver, James H. Jul. - Set., 1942. «C. Sulpicius Galba, Proconsul of Achaia». American Journal of Archaeology (em inglês). 46 (3): 380-388 
  33. Lívio, Ab Urbe Condita xxxix. 11-13.
  34. Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Claudius, 4, 41.
  35. Tácito, Anais xv. 49, 50, 68.
  36. Dião Cássio, História Romana lxii. 24.
  37. História Augusta, Alexander Severus, c. 20.
  38. Johann Christian Wernsdorf, Poetae Latini Minores, iii. p. 235 ff., 408.

Ligações externas