Sebastião Salgado | |
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![]() Sebastião Salgado em 2016 | |
Nome completo | Sebastião Ribeiro Salgado Júnior |
Pseudônimo(s) | Sebastião Salgado |
Nascimento | 8 de fevereiro de 1944 Aimorés, Minas Gerais, Brasil |
Morte | 23 de maio de 2025 (81 anos) Paris, França |
Causa da morte | complicações da malária |
Nacionalidade | brasileiro |
Cidadania | |
Etnia | branca |
Cônjuge |
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Filho(a)(s) |
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Educação | Lista
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Ocupação | |
Prêmios | Lista
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Assinatura | |
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Sebastião Ribeiro Salgado Júnior OMC (Aimorés, 8 de fevereiro de 1944 – Paris, 23 de maio de 2025) foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro.[8][9]
Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
As suas fotos a preto e branco representam a dignidade fundamental das pessoas e são testemunhos contra a guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF e foi multi-premiado pelo seu trabalho.
Juventude
[editar | editar código fonte]Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967).[1] Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia.[2] A ida para Paris em 1969 reflete asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.[1]
Carreira
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Fotografia
[editar | editar código fonte]Primeiras fotos e mundividência
[editar | editar código fonte]Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa.[10] Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.[11]
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington.[12] A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.[13]
Primeiros livros
[editar | editar código fonte]Seu primeiro livro, Outras Américas,[14] sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.[15]

Consagração internacional: Desalojamentos em Êxodos
[editar | editar código fonte]De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".[16]
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF, Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas crianças e mulheres sem residência fixa.[17]
Últimas publicações
[editar | editar código fonte]Os últimos livros focam-se em temas como a Pólio, desigualdade, África e ambiente.
Técnica fotográfica e Academia
[editar | editar código fonte]Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.[18]
Ativismo e ambientalismo
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Ao longo dos anos, Sebastião Salgado tem contribuído generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional.
O seu trabalho conjuga as pessoas e o ambiente. Depois de fotografar a seca no Sahel,[19] fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoia atualmente um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).[20][21]
Vida pessoal
[editar | editar código fonte]Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick,[22] com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.[23]
Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down.[18] Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai.[24] que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.[25]
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.[26]
Morte
[editar | editar código fonte]Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.[27]
A perda deste cidadão do mundo foi noticiada no Brazil, em Portugal (Diário de Notícias; Expresso, Público, RTP), China (1), Estados Unidos (New York Times), França (France 24), Inglaterra (BBC, Guardian).
Prêmios
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Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982,[3] foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992[4] e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993.[5] Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.[28][29]
- Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
- Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
- Prêmio World Press Photo
- The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
- Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos
- Prêmio pela publicação do livro Trabalhadores.
- Medalha da Inconfidência.
- Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
- Prêmio Overseas Press Oub oí America.
- Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
- Prêmio Unesco categoria cultural no Brasil.
- 40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem[30][31]
- Prêmio Muriqui
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
- Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)[32] (O Prêmio da Paz é concedido desde 1950 e é dotado de 25 000 euros)[32]
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)[33]
- Praemium Imperiale (2021)
Obras
[editar | editar código fonte]Outras Américas (1986).
Sahel: O "Homem em Pânico" (1986)
"Um Fotógrafo em Abril" (1999) ISBN: 972-21-1258-9
- Trabalhadores (1996) ISBN 8571645884
- Terra (1997) ISBN 8420428744
- Serra Pelada (1999) ISBN 2097542700
- Outras Américas (1999) ISBN 8571649030
- Retratos de Crianças do Êxodo (2000) ISBN 8571649359
- Êxodos (2000) ISBN 8571649340
- O Fim do Pólio (2003) ISBN 8535903690
- Um Incerto Estado de Graça (2004) ISBN 9722109839
- O Berço da Desigualdade (2005) ISBN 8576520389
- África (2007) ISBN 3822856223
- Gênesis (2013) ISBN 3836538725
- Perfume de Sonho (2015) ISBN 9788869656255
Referências
- ↑ a b «Ex-estudante da Ufes, Sebastião Salgado é homenageado no Oscar 2015». Ufes. Consultado em 1 de junho de 2021
- ↑ a b «Sebastião Salgado». International Center of Photography. 2 de fevereiro de 2019. Consultado em 1 de junho de 2021
- ↑ a b «1982: Recipients: Sebastião Salgado». W. Eugene Smith Memorial Fund. Consultado em 15 de outubro de 2015
- ↑ a b «Sebastiao Ribeiro Salgado». American Academy of Arts & Sciences. 7 de agosto de 2023. Consultado em 24 de dezembro de 2023
- ↑ a b Royal Photographic Society's Centenary Award Acessado em 13 de agosto de 2012
- ↑ TASCHEN. «Academician's Sword for Sebastião Salgado. TASCHEN Books». www.taschen.com. Consultado em 7 de fevereiro de 2019
- ↑ «Les photographes Salgado, Barbey et Gaumy élus à l'Académie des beaux-arts». Le Parisien. 16 de abril de 2016
- ↑ Netto, Andrei (8 de fevereiro de 2024). «Photographer Sebastião Salgado at 80: 'They say I was an aesthete of misery'». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 8 de fevereiro de 2024
- ↑ «Sebastião Salgado (1944 - 2025) - Morre Sebastião Salgado, o maior fotógrafo brasileiro, que registrou dramas do mundo». Folha de S.Paulo. 23 de maio de 2025. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Laura Greenhalgh (13 de setembro de 2009). «Fotógrafo andarilho de um planeta não revelado». O Estadao de S.Paulo. Arquivado do original em 27 de maio de 2017
- ↑ Universidade de São Paulo (ed.). «Salgado, Sebastião». Consultado em 10 de março de 2024
- ↑ «Sebastiao Salgado y la foto del atentado contra Reagan». Consultado em 29 de julho de 2013. Arquivado do original em 25 de junho de 2013
- ↑ O atentado que ligou Reagan, Jodie Foster e Sebastião Salgado. Último Segundo, 30 de março de 2011
- ↑ Outras Américas na página da Companhia das Letras
- ↑ Base de Dados de Livros de Fotografia (ed.). «Trabalhadores : uma arqueologia da era industrial». Consultado em 10 de março de 2024
- ↑ Xandra Stefanel (16 de março de 2014). Rede Brasil Atual, ed. «Livro conta passagens memoráveis da vida de Sebastião Salgado». Consultado em 10 de março de 2024
- ↑ Base de Dados de Livros de Fotografia (ed.). «Retratos de crianças do êxodo». Consultado em 10 de março de 2024
- ↑ a b Patricia Moribe (6 de dezembro de 2017). «Sebastião Salgado vira imortal das artes na França». RFI Brasil. Consultado em 7 de dezembro de 2017. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2017
- ↑ Canelas, Isabel Coutinho, Lucinda (23 de maio de 2025). «Sebastião Salgado (1944-2025), incansável observador da Terra e do que fizemos dela». PÚBLICO. Consultado em 1 de junho de 2025
- ↑ Youchange. «Instituto Terra - Youchange». Youchange (em francês). Consultado em 1 de outubro de 2017
- ↑ Funk, McKenzie (outubro de 2015). «Sebastião Salgado Has Seen the Forest, Now He's Seeing the Trees». Smithsonian Magazine. Smithsonian. Consultado em 5 de junho de 2023
- ↑ «Quem é Lélia Wanick Salgado, que divide a vida e os projetos com Sebastião Salgado». O Globo. 21 de julho de 2019. Consultado em 10 de novembro de 2019
- ↑ Marc Bassets (22 de maio de 2021). El País, ed. «As tribos de Sebastião Salgado e Lélia Wanick». Consultado em 10 de março de 2024
- ↑ «O Sal da Terra – Festival do RJ 2014, Raphael Camacho, 23/09/2014». Consultado em 20 de fevereiro de 2016. Arquivado do original em 29 de setembro de 2015
- ↑ Do G1, em São Paulo (15 de janeiro de 2015). «Documentário sobre Sebastião Salgado é indicado ao Oscar». G1, Globo.com. Consultado em 15 de janeiro de 2015
- ↑ Redação (23 de maio de 2025). CNN Brasil, ed. «Para qual time torcia Sebastião Salgado». Consultado em 25 de março de 2025
- ↑ «Família divulga causa da morte de Sebastião Salgado». CNN Brasil. 23 de maio de 2025. Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ TASCHEN. «Academician's Sword for Sebastião Salgado. TASCHEN Books». www.taschen.com. Consultado em 7 de fevereiro de 2019
- ↑ «Les photographes Salgado, Barbey et Gaumy élus à l'Académie des beaux-arts». Le Parisien. 16 de abril de 2016
- ↑ Folha de S. Paulo (13 de março de 1998). «Câmara Brasileira do Livro anuncia vencedores do Jabuti». Consultado em 30 de outubro de 2012
- ↑ Prêmio Jabuti. 50 anos. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 2008. ISBN 978-85-7060-647-1
- ↑ a b «friedenspreis - home». www.boersenverein.de. Consultado em 20 de junho de 2019
- ↑ «Harvard to recognize seven with 2021 honorary degrees». Harvard Gazette. 27 de maio de 2021. Consultado em 1 de junho de 2021