São José da Barra | |
---|---|
Município do Brasil | |
Hino | |
Gentílico | barrense |
Localização | |
![]() | |
Localização de São José da Barra no Brasil | |
Mapa de São José da Barra | |
Coordenadas | 20° 43′ 04″ S, 46° 18′ 39″ O |
País | Brasil |
Unidade federativa | Minas Gerais |
Municípios limítrofes | Alpinópolis, São João Batista do Glória, Carmo do Rio Claro, Guapé, Capitólio |
Distância até a capital | 332 km |
História | |
Fundação | 21 de dezembro de 1995 (29 anos) |
Administração | |
Prefeito(a) | Marcelo Rodrigues da Silva (Republicanos, 2025–2028) |
Características geográficas | |
Área total [2] | 308,319 km² |
População total (Censo IBGE/2022[2]) | 7 793 hab. |
Densidade | 25,3 hab./km² |
Clima | Não disponível |
Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
CEP | 37945-000 a 37947-999[1] |
Indicadores | |
IDH (PNUD/2010[3]) | 0,739 — alto |
PIB (IBGE/2021[4]) | R$ 891 476,488 mil |
PIB per capita (IBGE/2021[4]) | R$ 118 358,54 |
Sítio | www.saojosedabarra.mg.gov.br (Prefeitura) camarasaojosedabarra.mg.gov.br (Câmara) |
São José da Barra é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. É um dos municípios mais jovens e mais ricos da região sudoeste de Minas Gerais devido ao ICMS da Usina Hidrelétrica de Furnas.
Sua história se divide em duas etapas, antes e após as águas de Furnas, fato ocorrido quando a cidade ainda era apenas um arraial.
História
[editar | editar código fonte]A história de São José da Barra, município localizado no sudoeste de Minas Gerais, remonta ao período colonial e está diretamente ligada à formação territorial do Brasil e aos grandes empreendimentos do século XX. Originalmente chamado de Barra do Rio Sapucaí, o arraial foi fundado na confluência dos rios Sapucaí e Grande, em um ponto estratégico que o tornaria uma das referências geográficas e históricas mais antigas da região, anterior até mesmo à fundação de cidades como Passos e Alpinópolis.
Origens e Importância Estratégica
[editar | editar código fonte]Durante o século XVIII, as expedições bandeirantes oriundas da Serra da Mantiqueira chegavam à região pelo curso do Rio Sapucaí, encontrando o então chamado Rio Jeticahy (futuramente batizado como Rio Grande). Essa confluência deu origem à Paragem da Barra, um ponto de parada e referência fundamental em meio às disputas territoriais entre São Paulo e Minas Gerais.
Em 1740, o Papa Bento XIV estabeleceu os limites eclesiásticos entre as dioceses de São Paulo e Minas Gerais, fixando o Rio Sapucaí como marco divisório — o que colocava a região da Barra inicialmente sob jurisdição paulista. No entanto, em 1765, o então governador de Minas, Luís Diogo Lobo da Silva, tomou posse da região pela força, incorporando-a à Capitania de Minas Gerais.
A Vida na Antiga Barra (Barra Velha)
[editar | editar código fonte]Até meados do século XX, São José da Barra, também chamada de Pontal da Barra, era um vilarejo ativo com base econômica na agricultura, pesca e comércio. Servia como importante entreposto e ponto de travessia do Rio Grande, com destino à capital Belo Horizonte. A localidade possuía infraestrutura relativamente desenvolvida para a época: escola, igreja, posto de gasolina, armazéns, restaurante, pensão e uma balsa que fazia a travessia do rio.
Um dos principais atrativos turísticos era a queda d’água do Salto, formada no Rio Sapucaí, na junção com o Rio Grande.
A Construção de Furnas e o Desaparecimento da Cidade
[editar | editar código fonte]Em 1958, teve início a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, uma das maiores do país. Para a formação do reservatório da usina, era necessário alagar grandes áreas, incluindo a totalidade do vilarejo de São José da Barra.
O processo de remoção dos moradores começou nesse mesmo ano e se estendeu até 1963. Muitos receberam indenizações irrisórias, o que dificultou a reestruturação de suas vidas. O deslocamento foi emocionalmente traumático: os habitantes foram obrigados a deixar suas casas e terras que, em pouco tempo, seriam encobertas pelas águas.
A despedida da antiga cidade ficou marcada por um ato simbólico e religioso: em 15 de julho de 1962, o pároco Padre Ubirajara Cabral celebrou a última missa na antiga matriz, com a presença do bispo Dom Inácio Dalmont e dos frades capuchinhos Justino Prado e Ludovico Gomes. Após a celebração, foi feito o translado da imagem de São José, padroeiro da cidade, em carro aberto até a capela provisória construída na nova localidade.
Pouco tempo depois, com o fechamento das comportas da usina, o reservatório começou a se formar, cobrindo em questão de horas o casario da antiga Barra Velha e apagando fisicamente a cidade do mapa.
A Nova Barra
[editar | editar código fonte]A nova cidade foi construída nas proximidades do canteiro de obras da usina, em um local conhecido como Água Limpa, que rapidamente passou a ser chamada de Nova Barra — apelido que perdura até hoje entre os moradores.
O projeto de reconstrução foi liderado novamente pelo Padre Ubirajara Cabral, que idealizou a nova cidade em formato de banjo. Apesar do planejamento, a infraestrutura inicial era precária: sem saneamento, ruas sem asfalto e energia elétrica proveniente de um motor a diesel. Isso contrastava com a vila operária da usina, a poucos quilômetros dali, equipada com hospital, clube, cinema e serviços básicos, mas inacessíveis aos moradores reassentados.
Emancipação Política
[editar | editar código fonte]São José da Barra permaneceu como distrito de Alpinópolis por décadas, após ter sido anteriormente distrito de Passosaté 1939. Após diversas tentativas, o município foi oficialmente emancipado em 21 de dezembro de 1995, marcando o reconhecimento administrativo de uma comunidade que soube se reconstruir diante da perda.
Legado e Memória
[editar | editar código fonte]Hoje, São José da Barra é símbolo de resiliência e reconstrução, mas também da complexa relação entre desenvolvimento e patrimônio. A antiga Barra jaz sob as águas do lago de Furnas, mas permanece viva na memória dos que ali viveram e de seus descendentes. A história da cidade é uma lembrança permanente de que o progresso precisa, sempre, dialogar com a cultura e a dignidade das pessoas.
Geografia
[editar | editar código fonte]A natureza da região é muito rica, a região possui muitos pássaros e animais como suçuaranas, lobos-guarás, jaguatiricas, tamanduás, ouriços, veados-campeiros, quatis, pacas, capivaras, tatupebas e diariamente são vistos atravessando as estradas do município.
Economia
[editar | editar código fonte]A economia da cidade é baseada na produção de energia elétrica de Furnas, produção de milho, café, pimenta, criação de gado, produção de frangos e suínos e no turismo ainda nascendo pelo Lago de Furnas.
Educação
[editar | editar código fonte]O município conta com duas escolas estaduais e quatro escolas municipais. Conta também com uma escola técnica em eletrotécnica que forma cerca de 140 técnicos por ano.
Religião
[editar | editar código fonte]A Igreja Católica Apostólica Romana possui paróquia no município, sendo esta parte da Diocese de Guaxupé, e conta com 5587 fiéis.[5]
As denominações evangélicas está em grande crescimento. Contando com a Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Igreja Presbiteriana de Furnas, Igreja Batista, Nova Aliança, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová e Comunidade Ministerial, contando com 856 fiéis [5]
Referências
- ↑ Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. «Busca Faixa CEP». Consultado em 1 de fevereiro de 2019
- ↑ a b «IBGE». Censo Demográfico - 2022
- ↑ «PNUD». Índice de Desenvovolvimento Humano Municipal - 2010
- ↑ a b «PIB por Município». Produto Interno Bruto dos Municípios - 2021
- ↑ a b «São José da Barra». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 de junho de 2021