![]() O Estádio Centenario sediou a chamada Revanche do Maracanaço. | |||||||
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Data | 08 de abril de 1951 | ||||||
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Local | Estádio Centenario, Montevidéu, Uruguai | ||||||
Melhor em campo | ![]() | ||||||
Árbitro | ![]() | ||||||
Público | 70.000 presentes[3] |
A Revanche do Maracanaço foi uma partida de futebol disputada em 8 de abril de 1951, no Estádio Centenário, em Montevidéu, Uruguai, entre o Club de Regatas Vasco da Gama e o Club Atlético Peñarol. Considerado à época um marco na história do futebol brasileiro, o jogo ficou conhecido por simbolizar a redenção da Seleção Brasileira após a derrota na final da Copa do Mundo de 1950.[4][5][6][7][8][9][10][11][12]
A partida ocorreu menos de um ano após o Maracanaço, tida como uma das maiores tragédias futebolísticas do país e que deixou marcas profundas no esporte nacional,[13] especialmente no goleiro Moacir Barbosa, que foi amplamente responsabilizado pelo resultado.[14][6]
O embate entre Vasco da Gama e Peñarol, em Montevidéu, recebeu tratamento de um confronto simbólico entre Brasil e Uruguai, sendo encarado como uma oportunidade de redenção, já que ambos os times contavam com as bases de suas respectivas seleções nacionais.[5][10][11][12]
Reforçou a narrativa de revanche a presença de 21 jogadores que estiveram na final da Copa do Mundo de 1950, sendo eles: Máspoli, Matías González, Obdulio Varela, Juan González, Ortuño, Romero, Vidal, Schiaffino, Ghiggia, Míguez, Britos e Pérez pelos Carboneros; e Barbosa, Augusto, Ely do Amparo, Alfredo II, Danilo Alvim, Ademir de Menezes, Chico, Friaça e Maneca pelo Expresso da Vitória.[nota 1][16][17]
Assistida por mais de 70.000 torcedores, a vitória vascaína teve ampla repercussão internacional e foi comemorada em todo o Brasil como uma conquista do futebol nacional.[4][5][7][8] O Jornal dos Sports narrou que "não há palavras para descrever o entusiasmo com que o desporto brasileiro recebeu a sensacional vitória do Vasco sobre o Peñarol"[18] e ainda publicou em manchete: "Agora já se sabe onde é praticado o melhor futebol do mundo." Na Espanha, por exemplo, o periódico Mundo Deportivo classificou o resultado como "A Ressurreição do Futebol Brasileiro".[19]
O triunfo cruzmaltino chegou até mesmo a ser celebrado inclusive pelos presidentes dos rivais cariocas:[5][20] Gilberto Ferreira Cardoso do Flamengo disse que "a vitória do quadro do Vasco foi brilhante e magnífica"; para Carlos Martins da Rocha do Botafogo, "consagrou o football brasileiro de maneira extraordinária"; e segundo Fábio Carneiro de Mendonça do Fluminense, "enche a nós, do Fluminense, de tanta satisfação e orgulho, que nos deixa a impressão de traduzir um feito da própria bandeira tricolor."[20] Já o Diário Carioca destacou que "a torcida do Flamengo presente no estádio do Botafogo (General Severiano, em partida do Torneio Municipal contra o Madureira) vibrou ao primeiro gol do Vasco da Gama!"[21]
O confronto
[editar | editar código fonte]Os primeiros 15 minutos foram de intensa pressão dos donos da casa, que buscavam impor o ritmo do jogo com o apoio da torcida local. Em algumas oportunidades perigosas, especialmente criadas por Óscar Míguez e Alcides Ghiggia, Barbosa foi obrigado a realizar "magníficas defesas".[16][22] Aos poucos, o Vasco da Gama passou a equilibrar a partida, explorando principalmente as jogadas de Dejair e Tesourinha. Com 25 minutos da primeira etapa, a equipe cruzmaltina inaugurou o marcador em um belo gol de primeira de Friaça, após preciso lançamento de Dejair.[3][16]
No retorno do intervalo, os aurinegros voltaram a pressionar em busca do empate, mas novamente paravam sem sucesso em Barbosa. E logo aos 9 minutos, Friaça serviu Ademir de Menezes, que, em sua jogada característica, arrancou, passando pela marcação de Obdulio Varela, e marcou o segundo gol vascaíno, esfriando o ímpeto adversário.[16][23] A partir desse momento, a partida ficou mais truncada. Já nos minutos finais, em um lance trabalhado por Dejair, a bola chegou em Maneca, que cruzou na medida para Ipojucan completar de cabeça e fechar o placar em 3 a 0.[16][17]
O goleiro Moacyr Barbosa, frequentemente alvo de críticas após o Maracanaço, teve atuação destacada, com defesas seguras que garantiram o placar e o clean sheet.[6] Ao final do confronto, a torcida presente no Estádio Centenário reconheceu a performance vascaína, aplaudindo a equipe pelo desempenho.[3]
Detalhes da partida
[editar | editar código fonte]08 de Abril de 1951 | Peñarol ![]() |
0 – 3 | ![]() |
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16:15 (UTC−3) |
Relatório Relatório Relatório Relatório Relatório | Friaça ![]() Ademir ![]() Ipojucan ![]() |
Público: 70 mil presentes Renda: $ 70.960.20 pesos Árbitro: Juan Lorenzo Castaldi Diego Rimel Latorre (auxiliares) Héctor Pedro Rodríguez Ottonelli |
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Ver também
[editar | editar código fonte]Notas e referências
Notas
- ↑ O Peñarol inclusive se reforçou para a partida, com jogadores campeões mundiais que não atuavam pela equipe aurinegra, como Matías González e Julio Pérez.[15]
Referências
- ↑ «Eli, o melhor elemento do Vasco». Jornal dos Sports, Ed.06631, p6. 10 de abril de 1951
- ↑ «Cataldi, o árbitro de Vasco e Peñarol». Jornal dos Sports, Ed.06630, p6. 8 de abril de 1951
- ↑ a b c «A multidão de Montevidéu chamou o Vasco à realidade do Maracanã». Jornal dos Sports, Ed.06631, p6. 10 de abril de 1951
- ↑ a b «A Vitória que o Vasco precisava e o Brasil também». Jornal dos Sports, Ed.06631, p5. 10 de abril de 1951
- ↑ a b c d «Há 65 anos, Vasco vingou brasileiros no 1º confronto após o Maracanazo». ge.globo. 8 de abril de 2016
- ↑ a b c «Nascido há 100 anos, Barbosa criou sua própria redenção para o Maracanazo»
. Folha. 26 de março de 2021
- ↑ a b «REABILITAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO!». Jornal do Dia, Ed.01262, p12. 10 de abril de 1951
- ↑ a b «VIVA O FUTEBOL BRASILEIRO!». Mundo Esportivo, Ed.00242, p02. 10 de abril de 1951
- ↑ «VITÓRIA DE GRANDE SIGNIFICADO PARA O FUTEBOL BRASILEIRO!». Tribuna da Imprensa, Ed.00389, p12. 9 de abril de 1951
- ↑ a b «VASCO 3X0 - CAÍRAM, EM CASA, OS CAMPEÕES DO MUNDO». Diário da Noite, Ed.05035, p9. 9 de abril de 1951
- ↑ a b «TENTARÁ O VASCO A REABILITAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO». Correio da Manhã, Ed.17808, p13. 8 de abril de 1951
- ↑ a b «GLORIA AO VASCO - CAMPEÃO DOS GRAMADOS ESTRANGEIROS». A Noite, Ed.13759, p24. 10 de abril de 1951
- ↑ «Maracanazo 70 anos: saiba porque Brasil x Uruguai de 50 é um jogo único». ge.globo. 16 de julho de 2020
- ↑ «Condenados pelo Maracanazo, absolvidos pela história». El País. 16 de julho de 2020
- ↑ «AMANHÁ, À TARDE, EM MONTEVIDÉU, BARBOSA E GHIGIA FRENTE A FRENTE». A Noite, Ed.13758, p12. 7 de abril de 1951
- ↑ a b c d e «Sensacional...». A Noite, Ed.13759, p13. 10 de abril de 1951
- ↑ a b «Bela vitória do C. R. Vasco da Gama sôbre o Peñarol, em Montevidéu». Jornal do Brasil, Ed.00081, p11. 10 de abril de 1951
- ↑ «Vozes dos Clubes sobre o Grande Feito do Vasco». Jornal dos Sports, Ed.06631, p1. 10 de abril de 1951
- ↑ «La RESURRECCION del fútbol brasileño». Mundo Deportivo (em espanhol). 29 de abril de 1951
- ↑ a b «Vozes dos Clubes sobre o Grande Feito do Vasco». Jornal dos Sports, Ed.06631, p6. 10 de abril de 1951
- ↑ «Vitória - E. Guilhon». Diário Carioca, Ed.06987, p10. 10 de abril de 1951
- ↑ «Elogio unânime à brilhante vitória do Vasco». Correio da Manhã, Ed.17809, p9. 10 de abril de 1951
- ↑ «Resumo da Partida». Diário da Noite, Ed.05035, p10. 10 de abril de 1951