Reino de Baol
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Região | Sudão | ||||||||
Capital | Lambaie | ||||||||
Países atuais | Senegal | ||||||||
Tenhe | |||||||||
Período histórico | Idade Moderna Idade Contemporânea | ||||||||
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Baol ou Bauol era um reino no que hoje é o centro do Senegal. Fundado no século XI, era vassalo do Império Jalofo antes de se tornar independente em meados do século XVI. O governante tinha o título de teinhe e reinava da capital em Lambaie. O reino abrangia uma faixa de terra que se estendia a leste do oceano e incluía as cidades de Tuba, Diurbel e Bacque. Ficava diretamente ao sul do Reino de Caior e ao norte do Reino de Sine.
História
[editar | editar código fonte]Não existem fontes escritas para o início da história de Baol, e mesmo as tradições orais são escassas. O primeiro tenhe de Baol registrado chamava-se Caiamanga Diata e era membro da matrilinhagem soninquê Uagadu, refletindo a influência que emanava do Império de Gana.[1] Os sererês mudaram-se à região no século XI ou XII, fugindo da islamização no vale do rio Senegal. Os grupos uolofes chegaram gradualmente mais tarde.[2] Em algum momento no início de sua história, Baol foi integrado ao Império Jalofo. A lenda de Andiadiane Andiaie, o primeiro burba jalofo, afirma que o governante de Baol se submeteu voluntariamente a ele, mas esta é provavelmente uma invenção posterior para celebrar a unidade do império.[3] Muitas dos primeiras burbas vieram de linhagens maternas nativas de Baol, talvez se beneficiando da prestigiosa memória histórica de Gana. Alguns até usaram Lambaie como residência imperial.[4] Os portugueses começaram a negociar na costa de Baol no século XV, trazendo principalmente cavalos e ferro.[5]
Amari Angonê Sobel Fal, damel de Caior, e seu primo Maguinaque Jofe de Baol lutaram juntos na Batalha de Danqui (1549), onde derrotaram o burba e conquistaram a independência.[6] Fal se tornou o primeiro damel-tenhe, reinando sobre ambos os reinos numa união pessoal e fundando a dinastia Fal.[7] Por volta da virada do século XVI, Baol, ainda em grande parte sererê e animista e sob o reinado de tenhe Mafane Tiau, foi invadida pelo nominalmente islâmico Caior. Derrotados em batalha, alguns dos sacerdotes de Baol refugiaram-se com o maade de Salum, fundando a cidade de Caolaque.[8]
Em 1697, tenhe Late Sucabe Fal conquistou Caior e construiu um Estado poderoso e centralizado apoiado por um exército armado com armas de fogo. Após sua morte, no entanto, doou cada reino a um filho separado, e a rivalidade entre eles continuou.[9] Durante o século XVIII, o damel Maísa Teinde Ueji de Caior anexou Baol, mas o reino foi envolvido em uma disputa de sucessão após sua morte. Baol recuperou sua independência em 1756.[10] A conquista francesa de Baol começou em 1859 sob o governador Louis Faidherbe. A maior parte de Baol foi conquistada em 1874, mas o controle completo do antigo reino só foi estabelecido em 1895, quando foi dividido em duas províncias. Sob o colonialismo, o muridismo, cujo fundador Amadu Bamba era um Baol-Baol, espalhou-se amplamente na região.[7]
Governo
[editar | editar código fonte]Os sistemas sociais e políticos eram basicamente os mesmos de seu vizinho maior, Caior. O governo era composto pelos grandes eleitores que selecionavam o tenhe, uma burocracia escrava da coroa diretamente sob o rei, e representantes de cada uma das comunidades dependentes (pastores, pescadores, clérigos, castas e mulheres).[11] O herdeiro do trono recebia o título de Tialao e governava a província de Salao.[12]
Economia e sociedade
[editar | editar código fonte]Os principais portos marítimos do reino ficavam em Sali Portudal e Bur, dando aos nobres acesso a bens de luxo importados e armas de fogo que compravam com escravos saqueados de aldeias distantes ou na guerra.[11] Baol era um reino jalofo, mas incluía grandes comunidades de saafis e outros grupos sererês.[7]
Referências
- ↑ Boulegue 2013, p. 48.
- ↑ Clark & Philips 1994, p. 18.
- ↑ Boulegue 2013, p. 46-7.
- ↑ Fall 2013, p. 22.
- ↑ Clark & Philips 1994, p. 131.
- ↑ Fall, Becker & Martin 1974.
- ↑ a b c Clark & Philips 1994, p. 74.
- ↑ Kesteloot & Veirman 1999, p. 87.
- ↑ Clark & Philips 1994, p. 132.
- ↑ Barry 1972, p. 195–6.
- ↑ a b Clark & Philips 1994, p. 75.
- ↑ Fall, Becker & Martin 1974, p. 24.
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- Barry, Boubacar (1972). Le royaume du Waalo: le Senegal avant la conquete. Paris: Francois Maspero
- Boulegue, Jean (2013). Les royaumes wolof dans l'espace sénégambien (XIIIe-XVIIIe siècle). Paris: Karthala Editions
- Clark, Andrew Francis; Philips, Lucie Colvin (1994). Historical Dictionary of Senegal 2.ª ed. Londres: Scarecrow Press
- Fall, Rokhaya (2013). «De la nécessité de réactualiser le recours à la « tradition orale » dans l'écriture du passé africain». In: Fauvelle-Aymar, François-Xavier. Les ruses de l'historien. Essais d'Afrique et d'ailleurs en hommage à Jean Boulègue. Hommes et sociétés. Paris: Karthala. doi:10.3917/kart.fauve.2013.01.0015
- Fall, Tanor Latsoukabé; Becker, Charles; Martin, V. (1974). «Recueil sur la Vie des Damel». BIFAN. 36, Série B (1)
- Kesteloot, Lilyan; Veirman, Anja (1999). «Un lieu de mémoire sans stèle et sans visite guidée: le culte du Mboose à Kaolack (Sénégal)». Histoire d'Afrique : les enjeux de mémoire. Paris: Karthala. pp. 83–91. ISBN 978-2-86537-904-0