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Peçonha

Peçonha é uma substância tóxica produzida por um animal (dito peçonhento) e inoculada noutro animal por meio de um aparato inoculatório, tais como dentes (serpentes e aranhas), ferrão (escorpiões, vespas, abelhas), aguilhão (águas-vivas) ou mesmo forcípulas (lacraias). A ação de injetar é crucial para a definição de peçonha. São toxinas que são utilizadas ativamente para caça ou defesa. O exemplo melhor conhecido é o da peçonha das serpentes. Para o caso de substâncias irritantes ou tóxicas advindas de alguma planta, como no caso da urtiga, geralmente não se usa o termo "peçonha". O termo mais adequado nesse contexto é toxina ou, dependendo do efeito, substância urticante ou irritante.

Bem como naqueles animais venenosos que produzem venenos, que são utilizados de forma passiva para defesa. Venenos referem-se a qualquer substância tóxica produzida por um organismo (animal, planta, fungo ou bactéria) que causa efeitos nocivos ao entrar em contato, ser ingerida, inalada ou absorvida. A administração não é necessariamente ativa, como por meio de uma estrutura especializada, como seria no caso de uma peçonha.

As peçonhas podem ser compostas de diversas formas, sendo comum a presença de proteínas e peptídeos.[1]

Tipos de peçonhas e suas respectivas ações

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  • Peçonha é todo tipo de substância tóxica animal produzida por uma glândula especializada (ou seja, o animal possui uma estrutura específica para produzir a substância). Geralmente quando ingeridas são inativadas pelas enzimas digestivas. A glândula de peçonha pode ou não estar aliada a uma estrutura de inoculação: sapos possuem uma peçonha de defesa (quando uma serpente vai mordê-lo, ao pressionar as glândulas em seu dorso, há a liberação da peçonha que vai causar irritação na mucosa do agressor). Já animais predadores geralmente possuem a glândula de peçonha aliada a uma estrutura de inoculação, como as Crotalidae, serpentes que possuem um par de presas anteriores com um canal central por onde circula a peçonha
  • A peçonha citotóxica afeta células e tecidos: ocorre destruição de células e tecidos, seguida de necrose da região afetada.
  • A peçonha hemotóxica afeta as células sanguíneas: os vasos sanguíneos perdem sua capacidade de reter o sangue, a capacidade de coagulação e o sistema imunológico são anulados, ocorrem hemorragias internas e outros sintomas.
  • A peçonha miotóxica afeta os músculos: produz lesões de fibras esqueléticas com liberação de enzimas e mioglobina para o soro e são posteriormente excretadas pela urina. O fato que mais se observa nesta ação, são as dores musculares que permanecem durante um longo período. O tratamento fundamental consiste na aplicação precoce de soro antiofídico por via endovenosa.
  • A peçonha neurotóxica afeta o sistema nervoso: ocorre devido a fração crotoxina, uma neurotoxina de ação pré-sináptica que atua nas terminações nervosas inibindo a ação da acetilcolina, sendo o principal fator responsável pelo bloqueio neuromuscular, o que vai ocasionar as paralisias motoras.[2]


Algumas toxinas de microorganismos combinam-se com as peçonhas de animais, de forma que a origem metabólica dos venenos e peçonhas pode ter diversas origens[3], ou ainda, variar de acordo com condições ambientais.

Animais peçonhentos

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Podemos encontrar animais peçonhentos em diversos grupos, tanto de vertebrados como de invertebrados. Aqui estão alguns exemplos principais:

Invertebrados:

Escorpiões: Todos os escorpiões são peçonhentos e possuem um ferrão na ponta da cauda para injetar a peçonha. Algumas espécies são perigosas para humanos.

Aranhas: Muitas espécies de aranhas são peçonhentas, utilizando suas quelíceras (presas) para inocular a peçonha. Algumas aranhas, como a aranha-armadeira e a aranha-marrom, possuem peçonhas de importância médica.

Ácaros: Algumas espécies de ácaros possuem peçonha, embora geralmente não representem um risco significativo para humanos. Os mais importantes peçonhentos deste grupo seriam os carrapatos.

Insetos:

Himenópteros (abelhas, vespas e formigas): Muitas espécies possuem ferrões conectados a glândulas de peçonha, utilizados para defesa. Em algumas pessoas, a peçonha pode causar reações alérgicas graves.

Lepidópteros (mariposas e suas larvas): Algumas larvas de mariposas, como as do gênero Lonomia (taturanas), possuem cerdas urticantes que liberam toxinas ao contato com a pele, causando reações que podem ser graves.

Coleópteros (besouros): Algumas espécies de besouros possuem substâncias irritantes ou tóxicas que podem ser liberadas por contato ou mordida.

Quilópodes (lacraias): As lacraias possuem forcípulas (presas modificadas) conectadas a glândulas de peçonha, que utilizam para imobilizar suas presas. A picada pode ser dolorosa para humanos.

Cnidários (águas-vivas e caravelas): Esses animais possuem nematocistos em seus tentáculos, que são estruturas especializadas para injetar toxinas que paralisam ou matam suas presas. O contato com algumas espécies pode ser muito doloroso e perigoso para humanos.

Vertebrados:

Peixes: Peixes-escorpião e o Peixe-Pedra possuem espinhos conectados a fortes glândulas de peçonha.

Bagres: Algumas espécies possuem espinhos peçonhentos nas nadadeiras dorsal e peitorais.

Arraias: Algumas possuem um ferrão peçonhento na cauda.

Répteis:

Serpentes: Uma grande variedade de serpentes é peçonhenta, utilizando presas especializadas para injetar a peçonha. A composição e a potência da peçonha variam muito entre as espécies.

Mamíferos: alguns animais como o ornitorrinco apresentam esporões com fortes toxinas associadas.

Referências

  1. xxxxx. «Diferenças entre: Peçonha e veneno - BIOLOGANDO na BIOLOGIA». biologandonabio.blogspot.pt (em inglês). Consultado em 16 de maio de 2017 
  2. «Definição e características de veneno e peçonha». www.cobrasbrasileiras.com. Consultado em 16 de maio de 2017 
  3. De León, Marina E.; Fox, Eduardo G. P.; Dunaj, Sara; Jenner, Ronald A.; Keiser, Carl N.; Macrander, Jason; Nixon, Samantha A.; Nobile, Clarissa J.; Petras, Daniel (1 de janeiro de 2025). «A review of the venom microbiome and its utility in ecology and evolution including future directions for emerging research». Symbiosis (em inglês) (1): 3–27. ISSN 1878-7665. doi:10.1007/s13199-024-01031-0. Consultado em 18 de maio de 2025 
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