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Nouvelle vague

 Nota: Para outros significados, veja Nouvelle vague (desambiguação).

A Nouvelle Vague (Nova Onda) foi um movimento cinematográfico francês dos anos 1960 que marcou uma ruptura com os padrões tradicionais do cinema industrial e introduziu inovações narrativas, estéticas e conceituais.[1][2][3] Surgiu como reação ao cinema francês considerado previsível e rígido, em especial após a decadência do realismo poético, que privilegiava roteiristas em detrimento dos diretores. O termo foi criado por Françoise Giroud[4] em 1958 para designar jovens cineastas que buscavam explorar novas formas de narrativa e expandir os limites da linguagem cinematográfica.[5]

Entre os filmes que consolidaram a Nouvelle Vague estão Le Beau Serge (Claude Chabrol), considerado o primeiro marco do movimento;[6] Les Quatre Cents Coups (François Truffaut), que consolidou o movimento;[7] À Bout de Souffle (Jean-Luc Godard), que introduziu rupturas narrativas e popularizou o jump cut;[8] Hiroshima mon amour (Alain Resnais), que explorou memória e temporalidade;[9] e Cléo de 5 à 7 (Agnès Varda), centrado na experiência subjetiva de sua protagonista.[10] Outros filmes relevantes incluem Jules et Jim, Pierrot le Fou e L'année dernière à Marienbad.[11]

A Nouvelle Vague teve grande influência no cinema mundial, inspirando a Nova Hollywood e cineastas independentes.[12] Consolidou o conceito de diretor como autor, incentivou o rompimento com os estúdios tradicionais e introduziu liberdade narrativa e estética. Suas técnicas e abordagem subjetiva continuam a influenciar o cinema contemporâneo, especialmente obras experimentais e autorais.[4]

O movimento surgiu no contexto de jovens cineastas franceses interessados em liberdade criativa e inovação narrativa, geralmente sem grande apoio financeiro. Muitos iniciaram suas carreiras como críticos na revista Cahiers du Cinéma, onde discutiam a importância do diretor como autor e refletiam sobre a linguagem cinematográfica, analisando influências do cinema americano e dos mestres do cinema francês.[13][4]

A Nouvelle Vague também se desenvolveu em um período de efervescência social e cultural na França, com a juventude questionando normas, explorando a liberdade pessoal e experienciando mudanças que culminariam nos eventos da Revolução de Maio de 1968.[14]

O termo “Right Bank” (margem direita) vem do Rio Sena, em Paris. Cineastas como François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Éric Rohmer e Jacques Rivette faziam parte desse grupo. Eles focavam em narrativas centradas no cotidiano francês, mostrando personagens jovens e suas experiências pessoais e sociais. Seus filmes buscavam proximidade com a vida real, usando locações externas, diálogos naturais e improvisações, misturando influências do cinema americano e do clássico francês.[15]

“Left Bank” (margem esquerda) também vem da geografia parisiense. Aqui estavam cineastas como Alain Resnais, Agnès Varda e Chris Marker, com abordagem mais intelectual e experimental. Seus filmes exploravam memória, tempo, política e questões universais, muitas vezes incorporando elementos literários, artísticos e filosóficos. Apesar de estilos diferentes do Right Bank, compartilhavam a inovação técnica e o compromisso com um cinema autoral, mais reflexivo e conceitual.[carece de fontes?]

Características

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A Nouvelle Vague introduziu inovações formais que transformaram a linguagem cinematográfica. Entre elas estão a narrativa fragmentada, o uso de jump cuts, diálogos improvisados, filmagem em locações reais, luz natural e som direto. Os cineastas também exploraram a metalinguagem, comentando sobre a própria arte cinematográfica e os clichês visuais do cinema estabelecido. Tematicamente, os filmes abordavam liberdade, identidade, amor, juventude e alienação urbana, centrando-se na experiência subjetiva dos personagens e na observação do cotidiano.[1][2]

Referências

  1. a b «O que foi a Nouvelle Vague? | Oráculo». Super. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  2. a b «Nouvelle Vague: o que é, história, principais características e lista de filmes». Todo Estudo. 27 de junho de 2022. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  3. Lee, Sarah. «The Legacy of French New Wave in Modern Cinema». www.numberanalytics.com (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025 
  4. a b c WEB (http://www.kgrnet.com.br), kgrnet Soluções. «Movimentos do Cinema: Nouvelle Vague - InC | Instituto de Cinema | Cursos de Cinema e Atuação». Instituto de Cinema. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  5. «French New Wave Guide: Exploring the Origins of French Wave - 2025». MasterClass (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025 
  6. admin (27 de abril de 2013). «A onda francesa que abalou o cinema mundial». Jornalismo Júnior. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  7. «Críticos | 45 ANOS DE NOUVELLE VAGUE». Críticos. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  8. «'Conventions were exploded to make something with the remains': Jean-Luc Godard on the film that changed cinema». www.bbc.com (em inglês). 17 de março de 2025. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  9. Cena, Cinema em. «HIROSHIMA MON AMOUR | Cinema em Cena - www.cinemaemcena.com.br». Cinema em Cena (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025 
  10. «De Agnès Varda à Virginia Woolf: os modos de subjetivação, o tempo subjetivo e estranhamentos que habitam as personagens Cleo e Clarissa Dalloway – Littera 7 – Revista de Cultura» (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025 
  11. «15 filmes essenciais da Nouvelle Vague Francesa - Canto dos Clássicos». 15 de abril de 2020. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  12. on, Chris Heckmann (17 de maio de 2020). «What is New Hollywood? The Revolution of 1960s and '70s Hollywood». www.studiobinder.com (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025 
  13. «Nouvelle Vague - Histórico». facom.ufba.br. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  14. Bruno de Almeida, Nicolau (26 de novembro de 2018). «O 68 francês e o cinema». Jornal da USP. Consultado em 15 de agosto de 2025 
  15. «The Right Bank | Tony McKibbin». tonymckibbin.com (em inglês). Consultado em 15 de agosto de 2025