Ivan Junqueira | |
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Nascimento | 3 de novembro de 1934 Rio de Janeiro,Distrito Federal |
Morte | 3 de julho de 2014 (79 anos) Rio de Janeiro, ![]() |
Nacionalidade | ![]() |
Ocupação | Jornalista, poeta e crítico literário |
Prémios | Jabuti, Nacional de Poesia, Assis Chateaubriand, entre outros. Prémio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro (1980) Prémio Jabuti (1995) |
Magnum opus | Os Mortos (1964) |
Ivan Junqueira (Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1934 — Rio de Janeiro, 3 de julho de 2014) foi um poeta, jornalista, tradutor e crítico literário brasileiro. É lembrado principalmente por suas traduções de poetas modernos, como T. S. Eliot, e por seu lirismo de teor classicizante que abordava regularmente o tema da morte[1]. Ocupou a cadeira n. 37 da Academia Brasileira de Letras[2].
Biografia
[editar | editar código fonte]Junqueira nasceu em 3 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Cursou medicina e filosofia na Universidade do Brasil (hoje UFRJ), mas não conclui nenhuma das matérias, lançando-se ao jornalismo em 1963. Ao longo da vida, contribuiu com diversos jornais, enciclopédias e dicionários, dirigiu várias instituições políticas, educacionais e culturais, participou de inúmeras palestras e conferências nacionais e internacionais, recebeu muitos prêmios e condecorações, dentre os quais o prêmio Jabuti nos anos de 1995 e 2008, e atuou ativamente como crítico literário e ensaísta. Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 7 de julho de 2000, na sucessão de João Cabral de Melo Neto, recebido pelo acadêmico Eduardo Portella, onde atuou como presidente da instituição nos anos de 2004 e 2005 e recebeu o escritor Antônio Carlos Secchin. Morreu por falência múltipla dos órgãos, quando estava internado no hospital Pró-Cardíaco no Rio de Janeiro em 3 de julho de 2014[3][4].
Obra poética
[editar | editar código fonte]A obra poética de Ivan Junqueira era predominantemente lírica, marcada por uma poética classicizante e por reflexões filosóficas. Frequentemente, escrevia em versos métricos e rimados, seguindo ortodoxamente alguma forma fixa, como o soneto, a terza rima e as quadras[5].
Do meu amor, outrora uma aventura
feita de graça e de sorriso tanto,
resta-me apenas, na memória impura,
lembrança esparsa e vago desencanto.
Hei de aos meus versos conferir, no entanto,
Tamanhas ânsias de imortal ternura,
que em face deles, como por encanto,
em lírios se transforme a desventura.
Não quero agora, findo este lamento,
deixar que o meu amor, num derradeiro
adeus, se me abandone o pensamento.
O que mais quero é o meu amor inteiro,
pois é na sua lei que o sentimento
dá-se a si mesmo — imenso e verdadeiro— Soneto de sempre, de Ivan Junqueira.
Abordava diversos temas, mas destacou-se pela temática da morte[1], expressando-a em poemas como Sagração dos ossos, provavelmente sua magnum opus, dedicado ao poeta Bruno Tolentino (Tolentino, por sua vez, dedicou-lhe o poema O espectro[6]).
Considerai estes ossos
— tíbios, inúteis, apócrifos —
que sob a lápide dormem
sem prédica que os conforte.
Considerai: é o que sobra
de quem lhes serviu de invólucro
e agora já não se move
entre as tábuas do sarcófago.— Trecho do poema Sagração dos ossos, de Ivan Junqueira.
Livros de poesia[7]
[editar | editar código fonte]- Os Mortos (1964)
- Três Meditações na Corda Lírica (1971)
- A Rainha Arcaica (1980)
- Cinco Movimentos (1982)
- O Grifo (1987)
- A Sagração dos Ossos (1994)
- Poemas Reunidos (1999)
- Os Melhores Poemas de Ivan Junqueira (2003)
- Poesia Reunida (2005)
- O Tempo além do Tempo (2007)
- O Outro Lado (2008)
- Essa Música (2014)
Referências
- ↑ a b TORRES, Bolívar. «Livro de inéditos revela o Ivan Junqueira da 'mesa de bar'». O Globo. Consultado em 19 de junho de 2025
- ↑ «Ivan Junqueira». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 19 de junho de 2025
- ↑ «Ivan Junqueira». Acadêmia Brasileira de Letras. Consultado em 19 de junho de 2025
- ↑ «Morre no Rio o imortal Ivan Junqueira, aos 79 anos». 3 de julho de 2014. Consultado em 3 de julho de 2014. Arquivado do original em 4 de julho de 2014
- ↑ PASCHE, Marcos Estevão Gomes (23 de junho de 2022). «Neoclassicismo e modernidade na poesia de Ivan Junqueira». Revista Enunciação. 6 (2): 86-100. Consultado em 19 de junho de 2025
- ↑ «Poema de Bruno Tolentino». Rascunho. 17 de setembro de 2001. Consultado em 19 de junho de 2025
- ↑ «Ivan Junqueira». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 19 de junho de 2025