
Um heliponto é uma área projetada exclusivamente para operações de pouso e decolagem de helicópteros. Diferentemente de um heliporto, o heliponto é uma estrutura mais simples, sem instalações complementares, como áreas de taxiamento, hangares, oficinas, reabastecimento ou pátios para estacionamento de aeronaves.[1][2] Sua função principal é oferecer uma superfície segura e claramente marcada para operações de helicópteros, sendo amplamente utilizado em áreas urbanas, rurais, navios e plataformas offshore.
Classificação
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Os helipontos são classificados como aeródromos e, portanto, seguem a mesma lógica de categorização, sendo divididos em:
- Civis ou militares: Helipontos militares são sempre considerados públicos, mas seu uso pode ser restrito conforme determinação da autoridade aeronáutica. Já os helipontos civis podem ser públicos ou privados.
- Públicos ou privados: Helipontos públicos estão disponíveis para uso geral, enquanto os privados são destinados a proprietários específicos e não podem ser explorados comercialmente.[3]
Essa classificação reflete a finalidade e as restrições de uso de cada heliponto, garantindo conformidade com as normas aeronáuticas.
Estrutura
[editar | editar código fonte]Um heliponto é composto por três elementos principais, cujo dimensionamento depende do tipo de helicóptero esperado e da frequência de uso:
- Área de Toque (AT) ou Touchdown and Lift-Off Area (TLOF): Superfície onde o helicóptero realiza o contato direto com o solo durante o pouso ou decolagem.
- Área de Pouso ou Decolagem (APD) ou Final Approach and Take-Off Area (FATO): Região que engloba a TLOF, projetada para manobras finais de aproximação e partida.
- Área de Segurança (AS) ou Periférica: Zona ao redor da FATO que garante proteção contra obstáculos e segurança operacional.
Esses elementos são marcados com sinalizações específicas, como círculos, a letra "H" e, em alguns casos, números indicando o limite de peso (em milhares de quilos) ou o diâmetro máximo do rotor (em metros).[4][5] A construção geralmente utiliza concreto para maior durabilidade, mas em situações temporárias, materiais como madeira ou tapetes modulares (rig mats) podem ser empregados.
Usos Comuns
[editar | editar código fonte]Helipontos são encontrados em diversos contextos, incluindo:
- Hospitais: Facilitam o transporte de pacientes em evacuação aeromédica ou serviços de ambulância aérea, frequentemente localizados no topo de edifícios para acesso rápido a centros de trauma.
- Edifícios comerciais e residenciais: Em grandes cidades, como São Paulo, helipontos em coberturas de arranha-céus suportam serviços de táxi aéreo ou evacuações de emergência.
- Navios e plataformas offshore: Conhecidos como helidecks, são usados em embarcações e plataformas de petróleo para transporte de pessoal e suprimentos, além de evacuações de emergência.
- Áreas remotas: Em operações como combate a incêndios florestais ou resgates, helipontos temporários são construídos para receber suprimentos ou evacuar pessoas.
Legislação
[editar | editar código fonte]Brasil
[editar | editar código fonte]No Brasil, a regulamentação de helipontos é feita pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que estabelece normas para projeto, construção e operação. Em São Paulo, o Plano Diretor Estratégico de 2002 foi pioneiro ao exigir um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para a instalação de helipontos, considerando ruídos, ventos e impacto urbano. A cidade possui mais de 200 helipontos, refletindo sua relevância em áreas urbanas densas.[6]
Os helipontos devem seguir padrões internacionais, como os da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), para garantir segurança e interoperabilidade.
Curiosidades
[editar | editar código fonte]- Heliponto mais alto do mundo: Localizado no Glaciar Siachen, na Índia, a 6.400 metros acima do nível do mar, é usado para operações militares e de resgate em condições extremas.
- Sinalização: Além da letra "H", helipontos em coberturas podem exibir números indicando o peso máximo suportado (em milhares de quilos) e o diâmetro máximo do rotor (em metros).
- Portabilidade: Helipontos portáteis, feitos com estruturas robustas, permitem operações em terrenos inclinados, como encostas ou leitos de rios, sendo transportados por helicópteros para locais remotos.
Galeria
[editar | editar código fonte]-
Heliponto no topo do SunAmerica Center, Califórnia, EUA
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Heliponto principal do University Hospital Coventry, Inglaterra
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Helicóptero pousando em um helideck do navio HSV-2 Swift
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Heliponto da Bitexco Financial Tower, Ho Chi Minh, Vietnã
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Helicóptero do Yorkshire Air Ambulance pousando no Leeds General Infirmary
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ «Helipontos | Heliportos». Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. Consultado em 14 de abril de 2025
- ↑ «Qual a diferença entre heliporto e vertiporto?». esportes.yahoo.com. Consultado em 30 de outubro de 2022
- ↑ AEROJR (27 de setembro de 2018). «Heliponto e Heliporto: qual a diferença?». AEROJR. Consultoria e Capacitação. Consultado em 30 de outubro de 2022
- ↑ Casagrande, Vinícius (1 de outubro de 2020). «O que significam as faixas, números e letras de um heliponto?». Economia UOL. Consultado em 6 de outubro de 2020
- ↑ «Aeródromo x Aeroporto x Heliponto x Heliporto: Qual a Diferença?». Flight. 2 de abril de 2019. Consultado em 30 de outubro de 2022
- ↑ «Prefeitura de São Paulo». Consultado em 15 de março de 2023. Cópia arquivada em 20 de outubro de 2017
Ligações externas
[editar | editar código fonte]- «Plano Diretor Estratégico do município de São Paulo». Consultado em 15 de março de 2023
- «Lista de aeródromos públicos do Brasil». Planilha (arquivo XLS) mantida pela ANAC. Inclui heliportos públicos. Consultado em 15 de março de 2023
- «Lista de aeródromos privados do Brasil». Planilha (arquivo XLS) mantida pela ANAC. Inclui helipontos privados. Consultado em 15 de março de 2023