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Estação Ferroviária de Borba

Borba
Denominação: Estação de Borba
Administração: Infraestruturas de Portugal (sul)[1]
Classificação: E (estação)[2]
Linha(s): Ramal de Vila Viçosa (PK 186+780)
Altitude: 427 m (a.n.m)
Coordenadas: 38°48′22.45″N × 7°27′57.03″W

(=+38.80624;−7.46584)

Mapa

(mais mapas: 38° 48′ 22,45″ N, 7° 27′ 57,03″ O; IGeoE)
Município: BorbaBorba
Serviços: sem serviços
Inauguração: 2 de agosto de 1905 (há 120 anos)
Encerramento: 1 de janeiro de 1990 (há 35 anos)

A Estação Ferroviária de Borba foi uma interface do Ramal de Vila Viçosa, que servia o concelho de Borba, no Distrito de Évora, em Portugal.

Infraestrutura

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O edifício de passageiros situa-se do lado nordeste da via (lado esquerdo do sentido descendente, para Vila Viçosa).[3][4]

Horários de 1913 entre Casa Branca e Vila Viçosa, incluindo a estação de Borba.

Durante a fase de planeamento da linha férrea de Lisboa à fronteira, na década de 1850, um dos traçados propostos pelo engenheiro Thomaz Rumball atravessaria o Tejo perto do Carregado, e seguiria pelo vale do Rio Sorraia, passando depois por Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Elvas.[5] No entanto, a linha foi construída seguindo um traçado diferente.[5]

Planeamento, construção e inauguração

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Em Janeiro de 1899, foi aberto um inquérito administrativo, para a apreciação do público sobre os linhas férreas cuja construção estava programa no âmbito dos Planos das Redes Complementares ao Norte do Mondego e Sul do Tejo, incluindo a continuação da Linha de Évora de Estremoz até Elvas, passando por Borba.[6] Com efeito, quando o capitão de engenharia Manuel Raimundo Valadas defendeu a construção da linha de Estremoz a Elvas na sua obra Memoria sobre a Rede Geral dos Caminhos de Ferro Portugueses, apontou a passagem pelo concelho de Borba como uma das principais vantagens daquela via férrea, não só devido à população, mas também por constituir, em conjunto com o de Vila Viçosa, «uma das regiões vinícolas mais importantes do Alentejo».[7] Em 1900, surgiu uma proposta alternativa para esta ligação, quando o empresário John Clark foi autorizado pelo Ministério das Obras Públicas a apresentar os planos para uma via férrea de tracção eléctrica entre Estremoz e Vila Viçosa, passando por Borba.[8]

A continuação da Linha de Évora por Borba e Vila Viçosa foi confirmada no Plano da Rede ao Sul do Tejo, decretado em Novembro de 1902, prevendo-se que a estação de Borba ficasse a 11.128,64 metros de Estremoz, e a 4.875,89 metros de Vila Viçosa.[9] Esperava-se que a Câmara Municipal auxiliasse financeiramente o projecto.[10] As obras iniciaram-se em finais do ano seguinte, estando já concluídas em Abril de 1905.[11] O ramal entrou ao serviço no dia 1 de Agosto de 1905, tendo a estação de Borba sido construída junto à localidade.[12] Aquando da sua inauguração, a estação foi inserida numa zona especial de tarifas de transportes de cortiça, com destino ao Barreiro.[13]

Porém, a linha não chegou a ser prolongada além de Vila Viçosa, tendo a estação de Borba afirmado-se como o principal ponto de acesso das populações de Elvas e Campo Maior ao distrito de Évora.[7]

Década de 1920

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Por volta da década de 1920, existia uma diligência entre Elvas e a estação de Borba, onde se ligava aos comboios para Vila Viçosa ou Estremoz.[14]

Encerramento e recuperação

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Em 2 de Janeiro de 1990, foram encerrados os serviços de passageiros no Ramal de Vila Viçosa.[15]

Em 2012, a Rede Ferroviária Nacional e a Câmara Municipal de Borba assinaram um contrato de concessão do complexo da antiga estação de Borba, tendo a autarquia planeado a recuperação dos edifícios e dos terrenos, aproveitando-os para instalar infra-estruturas de apoio à ecopista que estava prevista no leito da antiga via férrea do Ramal de Vila Viçosa.[16]

Referências

  1. Diretório da Rede 2025. I.P.: 2023.11.29
  2. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  3. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  4. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  5. a b ABRAGÃO, Frederico (16 de Junho de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1644). p. 249-255. Consultado em 27 de Julho de 2017 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  6. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 61 (1466). 16 de Janeiro de 1949. p. 112. Consultado em 18 de Julho de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  7. a b GAMA, Eurico (16 de Março de 1956). «Achegas para a História do Caminho de Ferro do Leste» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1638). Lisboa. p. 144-145. Consultado em 31 de Dezembro de 2023 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 63 (1507). 1 de Outubro de 1950. p. 355. Consultado em 18 de Julho de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  9. «De Estremoz a Villa Viçosa: Prolongamento da linha de Evora» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (364). 16 de Fevereiro de 1903. p. 53. Consultado em 18 de Julho de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  10. «A rêde ferro-viaria ao Sul do Tejo» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 15 (359). 1 de Dezembro de 1902. p. 354-356. Consultado em 3 de Junho de 2012 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  11. SOUSA, José Fernando de (16 de Abril de 1905). «Ligações com a rêde espanhola» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (416). p. 113-114. Consultado em 3 de Junho de 2012 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  12. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (423). 1 de Agosto de 1905. p. 234-235. Consultado em 3 de Junho de 2012 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  13. «Tarifas de Transporte» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 18 (423). 1 de Agosto de 1905. p. 230. Consultado em 3 de Junho de 2012 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  14. MAIO, José da Guerra (1 de Janeiro de 1950). «A Camionagem e o Caminho de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 62 (1489). p. 735-736. Consultado em 18 de Julho de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  15. «CP encerra nove troços ferroviários». Diário de Lisboa. Ano 69 (23150). Lisboa: Renascença Gráfica. 3 de Janeiro de 1990. p. 17. Consultado em 5 de Março de 2021 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
  16. «Refer concede estação ferroviária de Borba ao Município». Tudo Bem. 23 de Fevereiro de 2012. Consultado em 7 de Fevereiro de 2015 
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