A Emenda Constitucional n° 88 de 2015, que durante o seu processo de tramitação foi conhecida como PEC da Bengala (nome oficial: Proposta de Emenda à Constituição n° 42 de 2003) é uma emenda constitucional proposta pelo senador Pedro Simon, eventualmente aprovada pelo Congresso em 2015 que aumentou a idade de aposentadoria compulsória dos servidores públicos — e, por extensão, dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que possuem cargo vitalício — de 70 para 75 anos. Foi regulamentada por Lei Complementar, proposta pelo senador José Serra[1] e aprovada por unanimidade.[2]
Críticos apontam que a PEC da Bengala seria uma violação do equilíbrio entre os três poderes da república, pois configuraria interferência do legislativo sobre o judiciário,[3] além de uma tentativa de impedir que a então presidente Dilma Rousseff nomeasse 6 ministros ao STF, uma vez que, tendo sido reeleita em 2014, um total de 6 ministros se aposentariam durante seus 8 anos de governo.[4]
Histórico
[editar | editar código fonte]A PEC da Bengala foi inicialmente aprovada no Senado ainda em 2006[5], mas ficou quase 10 anos parada, sem ser votada na Câmara. A então presidente Dilma Rousseff, que em seu primeiro mandato já tinha indicado 2 ministros para o STF (Luiz Fux em 2011, Luís Roberto Barroso em 2013) e um terceiro após ter sido reeleita (Edson Fachin, em 2015)[6], teria direito a indicar mais dois nomes, que se somados aos oito já indicados pelo presidente Lula em seus dois mandatos anteriores, chegaria a totalidade de ministros indicados por presidentes do Partido dos Trabalhadores. Com a Crise econômica brasileira de 2014, que eventualmente levaria ao Impeachment de Dilma Rousseff, houve pressão política para a PEC ser aprovada, o que ocorre em 5 de maio de 2015.[7]
Uma vez tendo sido aprovada, a PEC da Bengala precisava de uma lei complementar (PLS 274/2015) que a regulamentasse para que ela entrasse efetivamente em vigor. A lei foi aprovada por unanimidade[2], foi vetada integralmente pela presidente Dilma[8] mas o Congresso derrubou seu veto por ampla maioria.[9]
Tentativas de revisão
[editar | editar código fonte]Durante o governo de Jair Bolsonaro, o assunto voltou à tona. Bolsonaro, em seus quatro anos de mandato, indicaria dois ministros ao STF (Kassio Nunes Marques em 2020, e André Mendonça em 2022),[6] mas demonstrava descontentamento com a maioria dos ministros do tribunal ter sido indicada por seus opositores políticos,[10][11] e propôs que a PEC da Bengala fosse revogada, o que lhe daria o direito a indicar um total de 4 ministros ao STF.[12] Assim, sua aliada e deputada-federal Bia Kicis propôs uma nova emenda constitucional (PEC 159/2019) que revogaria a mudança na idade compulsória, retornando aos 70 anos.[13] A proposta seria aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara,[14] mas não teve mais nenhum movimento desde então (foi engavetada).[15]
Ver também
[editar | editar código fonte]Referências
- ↑ «Serra propõe estender a PEC da Bengala para todo o funcionalismo público». José Serra. 6 de maio de 2015. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ a b «Senado aprova extensão da PEC da Bengala para funcionalismo público». Metrópoles. 29 de setembro de 2015. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Bodart, Bruno; Frazão, Carlos Eduardo (11 de maio de 2015). «Da bengala ao funeral: um réquiem da independência do Judiciário brasileiro». Consultor Jurídico. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Zoccoli, Mariana (3 de novembro de 2014). «Oposição tenta manobra para impedir nomeações de Dilma no STF». Partido dos Trabalhadores. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Serra, José (13 de novembro de 2015). «Bengalada no bom-senso». Partido da Social Democracia Brasileira. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ a b Otoboni, Jéssica (29 de setembro de 2020). «Quem são os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal)». CNN Brasil. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Lourenço, Iolando (5 de maio de 2015). «Câmara finaliza votação da PEC da Bengala e texto vai à promulgação». Agência Brasil. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Lourenço, Luana (23 de outubro de 2015). «Dilma veta lei que estendia PEC da Bengala a todo o funcionalismo». Agência Brasil. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ «Congresso derruba veto presidencial e PEC da Bengala valerá para todo funcionalismo». Século Diário. 2 de dezembro de 2015. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Sampaio, Cristiane (15 de outubro de 2022). «Como seria o STF se Bolsonaro ampliasse o número de ministros para ter maioria na Corte?». Brasil De Fato. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Fonseca Fraga, Emerson; Cavagnolle, Clebio (9 de outubro de 2022). «'Deixo em aberto. Não é prioridade', diz Bolsonaro sobre aumentar número de ministros do STF». R7. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Brasilino, Carlos Estênio (10 de outubro de 2019). «PEC da Bengala: entenda o que é e por que ela volta à cena». Metrópoles. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Haje, Lara; Silveira, Wilson (29 de novembro de 2019). «PEC retoma idade de 70 anos para aposentadoria de ministros de tribunais superiores». Agência Câmara de Notícias. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ Clavery, Elisa (23 de novembro de 2021). «Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dá aval a proposta que revoga 'PEC da Bengala'». G1. Consultado em 23 de maio de 2025
- ↑ «PEC 159/2019». Câmara dos Deputados do Brasil. Consultado em 23 de maio de 2025