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Cesário Bonito

Cesário Bonito
Nascimento1 de agosto de 1909
Peso da Régua, Peso da Régua, Portugal
Morte4 de setembro de 1987 (78 anos)
Porto, Portugal
NacionalidadePortugal português
Ocupaçãomédico, cirurgião, dirigente esportivo

Cesário Bonito (Peso da Régua, Peso da Regua, 1 de agosto de 1909Porto, 4 de setembro de 1987) foi presidente do Futebol Clube do Porto em três períodos diferentes: 1945—1948, 1955—1957 e 1965—1967.

A relação de Cesário Bonito com o FC Porto remonta aos tempos em que jogou futebol na equipa de infantis do clube. Tendo mantido essa ligação, assume, em 1943, o cargo de vice-presidente na direcção presidida por Luís Ferreira Alves e, no ano seguinte de 1945, o de presidente, que exerce até 1948. Durante esta sua primeira presidência foram dados passos decisivos para a construção do Estádio das Antas. Na altura, as opiniões dos sócios dividiam-se entre duas possibilidades de localização para o novo estádio: a Vilarinha ou as Antas. Cesário Bonito foi um dos grandes defensores da segunda hipótese, tendo sido responsável pela escritura de promessa dos terrenos em 1947 e pela escritura definitiva de compra dos terrenos em 1948.

Desempenhou depois as funções de relator (1948) e presidente da Assembleia Geral (1950). Médico-Cirurgião de profissão, foi responsável pela operação à retina que em 1951 salvou Miguel Arcanjo da cegueira. O angolano viria a ser um dos maiores jogadores do FC Porto.

Cesário Bonito foi novamente eleito para a presidência do clube em 1955. Deste seu mandato, ficaram para a história a criação do Lar do Jogador em 1955 e a conquista do título nacional de futebol 16 anos depois e a primeira dobradinha da história do FC Porto (1955/56), com Dorival Yustrich no comando da equipa. Este período ficou também marcado pela inauguração do Lar do Jogador do FC Porto. Marcante foi ainda o episódio em que a Federação Portuguesa de Futebol decidiu adiar uma partida FC Porto x Sporting devido ao facto de José Travassos, um dos melhores jogadores dos visitantes, ter ficado retido em Madrid por causa do nevoeiro.[1] Tendo-se insurgido contra o adiamento, Cesário Bonito foi irradiado pela FPF, que suspendeu outros seis membros da direcção portista (incluindo o ex-presidente Miguel Pereira) por três anos.[2] A Federação acabaria por revogar a irradiação alguns meses depois. Cesário Bonito voltou a presidir ao clube entre 1965 e 1967, passando depois à presidência do Conselho Fiscal durante quatro anos.

Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa descreve-o como "um homem de grande carácter, leal, destemido, inteligente, sem papas na língua, um verdadeiro líder". Segundo o antigo presidente portista, Cesário Bonito "foi o primeiro dirigente capaz de se levantar contra o despotismo do poder central".[1] Embora tenha sido agraciado com o título de Sócio Honorário do FC Porto em 1952, foi no mandato de Pinto da Costa que a Cesário Bonito foi atribuída a mais importante distinção do clube: a de Presidente Honorário, em 1983.

  • BARBOSA, Alfredo. Dragão Ano 111 - História Oficial do Futebol Clube do Porto. Porto: O Comércio do Porto. 2004.
  • BARBOSA, J. Tamagnini e DIAS, Manuel. Figuras e Factos do F.C. do Porto - de A a Z - 1893/2005. Porto: New D - Notícias do Douro. 2005.
  • COSTA, Jorge Nuno Pinto da. Largos Dias Têm Cem Anos. Lisboa: Ideias & Rumos. 2004.
  • Glória e Vida de Três Gigantes - História Oficial do Futebol Clube do Porto. A Bola. 1995.
  1. a b COSTA, Jorge Nuno Pinto da. Largos Dias Têm Cem Anos. Lisboa: Ideias & Rumos. 2004. p.26.
  2. BARBOSA, Alfredo. Dragão Ano 111 - História Oficial do Futebol Clube do Porto. Porto: O Comércio do Porto. 2004. v.14. p.68.