Carlos I, IV & III (Persenbeug-Gottsdorf, 17 de agosto de 1887 – Funchal, 1 de abril de 1922) foi o último Imperador da Áustria de 1916 até 1918, também Rei da Hungria e Croácia como Carlos IV e Rei da Boêmia como Carlos III. Era filho do arquiduque Oto Francisco da Áustria e sua esposa a princesa Maria Josefa da Saxônia, tendo ascendido ao trono após a morte de seu tio-avô Francisco José I.
Carlos deliberadamente nunca abdicou oficialmente de seus tronos, passando o resto de sua vida tentando restaurar a monarquia até morrer aos 34 anos em Portugal na Ilha da Madeira, onde foi enterrado. Ele foi beatificado pela Igreja Católica em 2004, quando o papa João Paulo II declarou sua morte ter ocorrido em odor de santidade e reconheceu o seu papel como pacificador durante a guerra, colocando sempre sua fé antes de suas decisões políticas.
Biografia
[editar | editar código fonte]Nascimento
[editar | editar código fonte]Carlos nasceu em 17 de agosto de 1887, no Castelo de Persenbeug, situado às margens do rio Danúbio. Seu pai era o arquiduque Oto Francisco da Áustria, membro da família imperial austríaca, e sua mãe, Maria Josefa, filha do rei Jorge da Saxônia.[1]
À época de seu nascimento, o imperador Francisco José I contava com um filho herdeiro, o príncipe herdeiro Rodolfo. Carlos, neto do arquiduque Carlos Luís, irmão do imperador, encontrava-se, portanto, bastante distante da linha de sucessão ao trono.[2] A notícia do nascimento do novo arquiduque, que a ninguém parecia destinado a se tornar imperador, foi então divulgada apenas como mais um entre os diversos informes relativos à corte.[2]
Infância
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Carlos cresceu na propriedade da família, Villa Wartholz, e em Praga, onde seu pai, o arquiduque Oto Francisco, servia como comandante do Exército Imperial, e foi especialmente favorecido por sua mãe, Maria Josefa. O arquiduque Oto Francisco era conhecido por seu comportamento algo problemático, tendo protagonizado um episódio no qual atravessou o saguão do Hotel Sacher vestindo apenas o boné militar e a espada, sem qualquer outra peça de roupa.[3] Por esse motivo, a mãe, Maria Josefa, esforçou-se sobremaneira para proteger Carlos e seus irmãos da má influência paterna.
A educação religiosa que recebeu como parte de seus deveres reais deu a Carlos uma fé devota na Igreja Católica Romana.[1] Carlos nunca faltava às suas orações na capela da sua casa, e todas as noites fazia um exame de consciência e gostava de ir ao santuário da Virgem Maria em Mariazell.

Carlos foi educado privadamente, mas, contrariando o costume vigente na família imperial, frequentou um ginásio público, o Schottengymnasium, com o objetivo de participar de demonstrações em disciplinas científicas. Ao concluir seus estudos no ginásio, ingressou no exército, passando os anos de 1906 a 1908 como oficial, principalmente em Praga, onde cursou simultaneamente Direito e Ciências Políticas, conciliando tais estudos com suas obrigações militares.[4]
Em 1896, seu avô, o arquiduque Carlos Luís, morreu e seu tio, o arquiduque Francisco Ferdinando, foi nomeado herdeiro do trono. No entanto, Francisco Ferdinando se apaixonou pela condessa Sofia Chotek, que foi considerada inadequada para o papel de futura imperatriz, e se casou com ela em casamento morganático em 1900, após prometer ao imperador Francisco José I que renunciaria a qualquer reivindicação ao trono para seus descendentes. Isso tornou quase certo que o trono imperial um dia passaria do arquiduque Francisco Ferdinando para seu irmão mais novo, o arquiduque Oto Francisco. Quando seu pai, morreu prematuramente aos 41 anos em 1906 devido a problemas de saúde graves, Carlos se tornou o segundo na linha de sucessão ao trono, depois de seu tio, o arquiduque Francisco Ferdinando.
Casamento
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Por meio de um plano meticulosamente elaborado por Maria Teresa de Portugal, Carlos conheceu Zita de Bourbon-Parma em 1909.[nota 1][7] Maria Teresa era a terceira esposa do falecido arquiduque Carlos Luís, avô de Carlos, sendo, portanto, sua avó por afinidade;[6] além disso, era também tia materna de Zita.[7] A partir desse encontro, Carlos e Zita passaram a manter um relacionamento íntimo, sem que a maioria das pessoas da corte o percebesse.
O imperador Francisco José I considerou casar sua neta, Isabel Francisca, com Carlos, que estava destinado a tornar-se o futuro imperador. No entanto, encontrou resistência por parte da mãe de Carlos, Maria Josefa, que temia o grau de parentesco excessivamente próximo entre os dois.[8] Diante disso, Francisco José I passou então a cogitar o casamento de Carlos com a princesa Margarida da Dinamarca, descendente da Casa de Orléans.[8]
No outono de 1910, Carlos foi convocado por Francisco José I, que lhe ordenou que decidisse, em breve, por uma noiva apropriada.[9] Havia duas exigências para a escolha da futura esposa: ela deveria ser católica e filha de um monarca que governasse ou tivesse governado no passado.[9] Em meados de maio de 1911, Carlos pediu Zita em casamento, e os dois ficaram noivos. Francisco José I, ao ser informado do noivado por Maria Josefa, ficou profundamente surpreso, pois acreditava seriamente que Carlos se casaria com a princesa da Dinamarca e desconhecia a relação séria entre ele e Zita.[10] No entanto, ao saber que Zita era princesa do antigo Ducado de Parma e católica, o velho imperador se mostrou satisfeito e abençoou o noivado.[10]
Em 24 de junho de 1911, o Papa Pio X disse a Zita: Abençoo seu futuro esposo. Ele será o próximo imperador da Áustria.[11] Mesmo após Zita e os demais corrigirem, afirmando que o herdeiro ao trono era o arquiduque Francisco Ferdinando, Pio X reiterou que o próximo imperador seria Carlos.[11] Em 21 de outubro do mesmo ano, realizou-se o casamento de Carlos e Zita no Castelo de Schwarzau.
Início da Primeira Guerra Mundial
[editar | editar código fonte]Em 28 de junho de 1914, com o assassinato do herdeiro ao trono, o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, durante o atentado de Sarajevo, teve início a Primeira Guerra Mundial. Naquele mesmo dia, durante o horário da refeição, Carlos e Zita estranharam a demora na chegada do prato principal. Logo em seguida, um camareiro entrou na sala trazendo um telegrama.[12] Ao lê-lo, Carlos empalideceu e disse apenas a Zita: O tio Francisco foi assassinado.[12]
Pouco depois, Carlos recebeu uma carta do então Papa Pio X. Nela, o pontífice aconselhava Carlos a alertar o imperador sobre os riscos que aquela guerra poderia representar.[1] No entanto, Carlos vinha sendo sistematicamente afastado do centro político de Viena e jamais fora consultado sobre a possibilidade de declarar guerra. De fato, ele tomou conhecimento do ultimato enviado ao Reino da Sérvia apenas por meio de uma ligação telefônica de um contato do meio bancário.[13] Apesar de ter se tornado o novo herdeiro ao trono, Carlos foi deixado de lado, o que lhe causou profunda frustração, embora isso posteriormente tenha servido para provar que ele não teve qualquer responsabilidade pelo início do conflito.[13]
A pedido do próprio imperador Francisco José I, pouco tempo após o início da guerra, Carlos e sua família passaram a residir com ele no Palácio de Schönbrunn.[14] O velho imperador tinha grande confiança no arquiduque, afirmando: Tenho Carlos em alta estima. Ele sempre expressa sua opinião com clareza, mas quando percebo que estou decidido, ele não insiste em contrariar-me.[14]

No entanto, mesmo após o início da guerra, o chefe do Estado-Maior, Franz Conrad von Hötzendorf, não ofereceu a Carlos oportunidades reais de ação.[15] Sua agenda era preenchida com atividades cerimoniais, como recepções, audiências e visitas a campos de treinamento; compromissos que não envolviam funções efetivas. Apenas em julho de 1915 Carlos foi finalmente nomeado para o círculo íntimo do imperador, passando a ter acesso a relatórios já aprovados.[15] Também começou a receber lições de política dos primeiros-ministros da Áustria e da Hungria, mas esse período de aprendizado foi breve.[16] Atendendo a pressões que exigiam o afastamento do jovem arquiduque da esfera de influência, Francisco José I acabou cedendo,[16] e Carlos foi então designado para servir na recém-criada 20ª Divisão Italiana.[16]
Na campanha italiana, durante a Batalha do Isonzo, Carlos, apesar de ser o herdeiro ao trono, não hesitou em saltar na água para salvar um soldado que se afogava. Segundo o capelão militar Rodolfo Spizzl, durante uma extenuante marcha rumo a Asiago, Carlos intercedeu em favor de um soldado ferido que não conseguia mais caminhar, garantindo-lhe assistência.
Ascensão ao trono
[editar | editar código fonte]Em 12 de novembro de 1916, Carlos, que se encontrava na frente italiana, retornou a Viena ao ser informado do agravamento do estado de saúde do imperador Francisco José I. Na manhã do dia 21 daquele mês, apesar da febre alta, o velho imperador ainda examinava documentos em seu gabinete e, ao saber que Carlos e Zita haviam vindo visitá-lo, teve ânimo suficiente para tentar vestir seu uniforme militar.[17] Contudo, na tarde do mesmo dia, teria suspirado e dito: Assumi o trono em tempos conturbados, e agora devo passá-lo em tempos ainda mais difíceis….[17] Naquela mesma noite, às 21h05, o imperador Francisco José I faleceu aos 86 anos. Carlos foi então proclamado imperador da Áustria com o nome de Carlos I.
Como novo soberano, Carlos iniciou imediatamente uma série de reformas na corte. Aboliu os cerimoniais excessivamente pomposos, introduziu inovações tecnológicas como o telefone, e reformulou as normas de funcionamento e os costumes sociais da corte.[18] Passou a permitir que os funcionários húngaros utilizassem sua língua materna e aboliu a exigência do uso de fraque nas audiências com o imperador.[18] O ajudante-de-ordens Albert von Margutti descreveu o ritmo das reformas de Carlos I como "um furacão, sem qualquer consideração por medidas de transição".[19]
Diferentemente de Francisco José I, que mantinha hábitos e rotinas de forma inflexível, Carlos I frequentemente cancelava planos com a simples justificativa de que os achava "desagradáveis".[19] Sua forma de tomar decisões rápidas e frequentemente improvisadas levou os membros da corte a apelidá-lo de "Carlos das ideias repentinas".[19]
Em 30 de dezembro de 1916, Carlos foi coroado como rei da Hungria com o nome de Carlos IV.[20] Como a tradição determinava que um soberano húngaro só era reconhecido legitimamente se coroado com a Coroa de Santo Estêvão, uma cerimônia solene e esplendorosa foi realizada na Igreja de Matias, em Budapeste, apesar do contexto de guerra.[20] Durante a coroação, Carlos fez o seguinte juramento: "Manteremos as fronteiras da Hungria e de seus territórios vizinhos como até agora, sem qualquer redução, buscando, sempre que possível, sua ampliação".[20] Embora, enquanto arquiduque, Carlos cultivasse secretamente o projeto de transformar o Império em uma federação plena, esse juramento evidenciava um obstáculo significativo à implementação de tal novo sistema.[21]
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Carlos no cortejo fúnebre de Francisco José I até a Cripta dos Capuchinhos. Tradicionalmente, o novo imperador ficava sozinho atrás do caixão do falecido, seguido pelo príncipe herdeiro e pela imperatriz, mas Carlos aboliu o estilo habitual e ficou ao lado da esposa Zita e do filho Oto.[22]
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Juramento de Carlos como rei da Hungria.
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Carlos IV da Hungria, com a rainha Zita e o príncipe herdeiro Oto, após a coroação em Budapeste, 1916.
O Caso Sixto
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Na noite de 23 de março de 1917, no Castelo de Laxemburgo, o imperador Carlos manteve uma reunião secreta com os dois irmãos da imperatriz Zita, os príncipes Xavier e Sixto de Bourbon-Parma. O objetivo desse encontro era tentar negociar uma paz separada entre o Império Austro-Húngaro e o Reino Unido e a França, sem a participação do aliado Império Alemão, que estava interessado apenas na vitória.[23] Enquanto a Alemanha ainda dispunha de recursos, a situação da Áustria-Hungria era crítica, especialmente no tocante ao abastecimento alimentar, e o país já não possuía forças suficientes para continuar a guerra.
Carlos demonstrava sincera preocupação com os soldados na linha de frente e com a população civil que enfrentava privações severas.[24] Segundo testemunhos, em várias ocasiões, ao visitar a frente de batalha, Carlos teria chorado ao ver o sofrimento dos combatentes.[24] Em certo momento, diante de um fotógrafo, o imperador declarou em lágrimas: Ninguém pode justificar-se perante Deus por algo assim. É preciso acabar com isso o quanto antes.[25]
Motivado por esse desejo de encerrar a guerra o mais rapidamente possível, Carlos empreendeu a tentativa de paz separada. O imperador escreveu uma carta em francês, teoricamente dirigida ao seu cunhado, mas que ele deveria transmitir ao presidente francês, Raymond Poincaré.
Entre os pontos destacados na carta estavam:
- Apoio à reconstrução da Bélgica;
- Garantia de independência ao Reino da Sérvia, incluindo acesso ao mar Adriático;
- Concordância com a cessão de Constantinopla à Rússia, uma vez que a situação em São Petersburgo estivesse estável após a abdicação do czar Nicolau II.
A carta continha ainda a seguinte declaração explícita:
Informarei o presidente francês, Raymond Poincaré, confidencialmente, por meio de Sixto. Como aliado, ele reconheceu o retorno da Alsácia-Lorena (antigamente parte do Império Alemão) à França como legítimo e pretendia usar todos os meios disponíveis para apoiar isso.[25]
O governo francês vinha articulando, desde o período em que o imperador Francisco José I ainda era vivo, uma paz separada com o Império Austro-Húngaro, tendo como intermediário o príncipe de Parma.[26] A intenção da França era estabelecer contato entre o príncipe e o herdeiro ao trono, Carlos; contudo, como este não dispunha de qualquer autoridade à época, o plano não passou da fase de concepção.[26] Com a ascensão de Carlos ao trono, a França instou o príncipe de Parma a dar início às negociações.[26] Assim, essas tratativas de paz separada foram resultado da convergência de interesses entre a França e o Império Austro-Húngaro.
No entanto, em 1918, o primeiro-ministro francês, Georges Clemenceau, tornou públicas essas negociações secretas.[23] Inicialmente, Carlos negou ter escrito qualquer carta;[27] posteriormente, admitiu a existência do documento, mas alegou que ele não continha qualquer menção ao "apoio às legítimas reivindicações de restituição da França".[27] O alto comando militar alemão reagiu com extrema indignação às negociações secretas de Carlos.[28] No interior do Império Austro-Húngaro, a sequência de declarações falsas atribuídas ao imperador abalou seriamente a credibilidade da casa imperial. O fato de o casal imperial ter tentado ceder territórios do aliado Império Alemão provocou a indignação dos nacionalistas germânicos.[28] Essa crise foi amplamente explorada por propagandistas antimonarquistas, e a imperatriz Zita, pertencente à Casa de Bourbon-Parma, com origens tanto na França quanto na Itália, ambas inimigas do Império, passou a ser alvo de severas críticas.
“ | Entre os líderes das nações envolvidas na guerra, apenas o Imperador Carlos da Áustria era um homem íntegro, mas ninguém queria ouvi-lo. Ele realmente queria paz, mas por isso era desprezado por todos. Assim, uma oportunidade única foi perdida.
— Crítico Anatole France |
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Proclamação de novembro de 1918
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Em 9 de novembro de 1918, o kaiser Guilherme II da Alemanha abdicou. Pouco tempo depois, após a eleição de um governo liderado pelo Partido Social-Democrata da Alemanha, os sociais-democratas austríacos começaram a exigir que o imperador austríaco também abdicasse.[29] Embora o Partido Social Cristão fosse um partido monarquista, eles também concordaram com a abdicação do imperador.
Em 11 de novembro, às 15h, no Palácio de Schönbrunn, Carlos assinou um documento em que declarava não intervenção nos assuntos de Estado e a dissolução do então governo:
A responsabilidade pela guerra presente não recai sobre mim; contudo, desde a minha ascensão ao trono, tenho envidado constantes esforços para libertar o povo da calamidade abominável do conflito. Não nutro qualquer intenção de impedir que o povo estabeleça uma vida nacional conforme os preceitos constitucionais e trilhe o caminho para o desenvolvimento de um Estado independente. O meu amor pelo povo permanece inalterado, e não considero digno que eu próprio me torne obstáculo ao futuro de uma nação que aspira voar rumo à liberdade. Desde tempos anteriores, venho reconhecendo a ordem estatal futura conforme decidida pelo Governo Provisório da Áustria Alemã. O povo será doravante confiado às mãos dos representantes do governo. Declaro, assim, que renuncio à execução de todos os atos de governo, bem como à dissolução do atual gabinete. É meu mais sincero desejo que o povo, em espírito de unidade e concórdia, estabeleça uma nova ordem estatal. A felicidade do povo tem sido, desde o início, a mais fervorosa das minhas preces, e apenas mediante a paz interna será possível curar as feridas da guerra.[30]
O texto foi redigido pelo chanceler Heinrich Lammasch e pelo ministro do Interior Edmund von Gayer, tendo sido apresentado a Carlos por volta das 11 horas da manhã daquele mesmo dia. Ao lê-lo, Carlos enfureceu-se, exclamando: Isto não é uma declaração de abdicação?! Eu não tenho intenção alguma de abdicar![31] Em seguida, o rascunho final foi mostrado à imperatriz Zita, que igualmente reagiu com indignação, afirmando: Isto não é nada além de uma abdicação!, mas Lammasch e Gayer asseguraram-lhe que o termo "renúncia" se referia apenas aos atos de governo, e não à dignidade imperial.[32] Quando Carlos decidiu assinar o documento, às 15 horas, a informação de que o "imperador havia abdicado" já havia sido amplamente divulgada ao público por meio de cartazes nas ruas.[30]
Dois dias depois, em 13 de novembro, Carlos assinou um documento similar, desta vez renunciando ao exercício do governo na Hungria.[33] Também nessa ocasião, reiterou sua posição ao declarar: Jurei perante Deus tornar-me rei da Hungria. Somente Deus pode decidir se esse juramento deve ou não ser anulado, deixando claro que sua concepção de autoridade baseava-se na teoria do direito divino dos reis, e recusando-se expressamente a abdicar da coroa húngara.[33]
Partida da Áustria
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A família imperial deixou o Palácio de Schönbrunn no mesmo dia da declaração de "não intervenção em assuntos de Estado". Acompanhada por uma comitiva de 24 guardas, a família mudou-se para o Castelo Eckartsau.
Em janeiro de 1919, o primeiro chanceler da República, Karl Renner, visitou-os em Eckartsau.[34] Carlos recusou-se a conceder uma audiência, enviando em vez disso o seu ajudante de campo, o Conde Ledecowski, para falar em seu nome.[34] A essência da mensagem de Renner consistia em uma recomendação para que Carlos deixasse o país o quanto antes, alegando que "elementos imprudentes poderiam vir a tomar atitudes imprevisíveis e violentas".[34][35] Carlos, então, começou a considerar seriamente a possibilidade de desertar para a Suíça.

O governo britânico, tendo recebido informações de "fontes confiáveis" sobre o iminente massacre da família imperial austríaca, foi coagido a cooperar ativamente na saída dos Habsburgos, pois eles foram acusados de terem permitido que os Romanov fossem executados durante a Revolução Russa, apesar de serem parentes da família real britânica.[35]
O coronel Edward Lyle Strutt, que havia sido enviado pelo Reino Unido, estava em conflito feroz com o chanceler Renner sobre a Casa de Habsburgo.[35] Renner ficou furioso, ameaçando prendê-lo e não permitir que ele deixasse o país a menos que o imperador abdicasse. O coronel Strutt, no entanto, havia preparado um telegrama com antecedência que alertava Renner de que o governo austríaco está impedindo o imperador de deixar o país. Estamos ordenando a construção de barricadas e o congelamento de todos os suprimentos de socorro destinados à Áustria.[36]
Em 23 de março, a família imperial deixou a Áustria.
“ | Desde 11 de novembro de 1918, a Assembleia Nacional Provisória do Governo da República Austro-Alemã tem deliberado como se eu e minha família jamais tivéssemos existido. [...] Em meio ao tumulto dos tempos de guerra, herdei o trono com o firme desejo de trazer a paz ao povo. Desejei ser, para eles, um pai da pátria sincero e benevolente...
— Declaração feita por Carlos na estação ferroviária de Feldkirch, no extremo oeste da Áustria, em 24 de março de 1919[37] |
” |
Naquela época, para evitar provocar o Exército Vermelho, a declaração de Carlos foi enviada apenas ao Papa em Roma e ao primeiro-ministro austríaco.[37] Em 27 de março, Karl Renner apresentou ao Conselho Nacional um projeto de lei declarando que "a Casa de Habsburgo perde permanentemente todos os direitos de soberania e demais privilégios".[38] Esse projeto foi aprovado em 3 de abril, resultando não apenas na expropriação dos bens vinculados à Coroa, mas também na desapropriação da maior parte das propriedades privadas da família Habsburgo em favor da república.[39] Os poucos bens restantes foram posteriormente confiscados como forma de cobrança de impostos sobre o patrimônio.[39]
A tentativa de recuperar o trono da Hungria
[editar | editar código fonte]A atitude da Suíça em relação à família imperial foi amistosa e repleta de respeito. Antes da entrada no país, houve consideráveis críticas por parte de organizações antimonarquistas, mas, com o tempo, as críticas a Carlos silenciaram-se.[38] Até mesmo jornais de tendência radical passaram a valorizar os esforços do casal imperial em prol da paz, enquanto os jornais conservadores chegaram a expressar uma recepção calorosa.[38]
Em 21 de março de 1919, o governo do presidente da república Mihály Károlyi foi derrubado por comunistas liderados por Béla Kun, da República Soviética Húngara. Como Kun e seus aliados buscavam estabelecer um governo comunista radical, muitos proprietários e políticos húngaros exilaram-se no exterior, especialmente em Viena.[40] Contra o novo governo, figuras como Miklós Horthy se rebelaram e conseguiram derrubá-lo.[40] Após diversos reveses, a Assembleia Nacional da Hungria decidiu restaurar a monarquia como forma de governo.[40]
Embora tivesse sido forçado a assinar a declaração de suspensão da autoridade real no Castelo Eckartsau, legalmente Carlos continuava sendo o rei Carlos IV, razão pela qual as autoridades suíças também procuraram restaurá-lo ao trono.[41] Na Hungria, o cenário era caótico: havia quem desejasse o retorno de Carlos, quem preferisse outro Habsburgo que não ele, quem defendesse uma nova dinastia e até mesmo opositores da monarquia em geral. Carlos decidiu visitar a Hungria o mais rápido possível para reafirmar sua condição de rei do país.[41]

Em março de 1921, ao entrar na Hungria, Carlos foi recebido por oficiais legitimistas como o alto funcionário do governo Antal Lehár.[42] O primeiro-ministro húngaro Pál Teleki também veio ao seu encontro e declarou: Majestade, há duas opções! Ou retorna agora à Suíça, ou marcha sobre Budapeste!; Carlos escolheu a segunda opção[42] O então regente Miklós Horthy, embora monarquista, após inicialmente dar boas-vindas ao retorno de Carlos, viu-se sob pressão dos países vizinhos Tchecoslováquia e Iugoslávia, que começaram a mobilizar tropas. Isso forçou Horthy a optar entre o exílio de Carlos ou a guerra. Após refletir, decidiu, com o apoio unânime do Parlamento Húngaro, pedir a Carlos que deixasse o país para proteger o povo. De modo que, a primeira tentativa de Carlos de recuperar o trono foi frustrada.
Seis meses depois, com István Bethlen substituindo Teleki como primeiro-ministro, e sob um regime de governo autoritário moderado liderado por Horthy, a repressão sistemática aos apoiadores do rei se intensificou.[43] Os militares leais ao rei, que já consideravam Horthy uma figura perigosa, ansiavam pela entrada de Carlos em Budapeste.[43] Diante dessa conjuntura, Carlos decidiu entrar novamente na Hungria. Deixou os filhos na Suíça e viajou com a imperatriz Zita, grávida, em um avião rumo ao país. Em outubro de 1921, Carlos pisou novamente em solo húngaro, mas essa nova tentativa também fracassou. A Câmara dos Comuns britânica, em sessão secreta, pressionou o Secretário de Relações Exteriores, Sir George Curzon, a retirar Carlos da Hungria. Foi decidido que ele seria transportado por um navio de guerra britânico que navegava pelo Mar Negro.
Exílio na Madeira e morte
[editar | editar código fonte]Às 15 horas do dia 19 de novembro, o navio de guerra britânico que transportava o casal imperial Carlos e Zita chegou à ilha da Madeira, território de Portugal no Oceano Atlântico. O casal foi calorosamente recebido pelos habitantes da ilha e lhes foi concedida uma residência relativamente confortável no Funchal, chamada Villa Victoria.[44] No entanto, a fortuna da família imperial estava praticamente esgotada, e, em meados de fevereiro de 1922, foram obrigados a mudar-se para um chalé em condições precárias nas montanhas.[45] Segundo o diário de Zita, poucos dias após o desembarque na ilha, o cônsul britânico entregou uma carta com a seguinte proposta: se Carlos renunciasse formalmente ao trono, não apenas os bens da coroa confiscados pelos antigos países da monarquia Habsburgo seriam devolvidos, como também o Reino Unido ofereceria auxílio financeiro. Carlos, contudo, teria respondido: Digam a todos que minha coroa imperial não está à venda.[45]
“ | Não havia eletricidade, havia apenas um banheiro, e a moradia era extremamente apertada. Como a lenha usada para aquecimento era verde, a fumaça enchia constantemente os cômodos, mesmo assim, o aquecimento era indispensável. A luz solar mal entrava no local, o que fazia com que sentissem saudades da vida em Funchal. Ali, os quartos estavam sempre cobertos de mofo. O imperador não podia comer carne nem mesmo no jantar; sua alimentação era simples, composta apenas por vegetais e knödels (bolinhos de massa). No parto da imperatriz, não houve parteira nem médico, apenas uma babá inexperiente apareceu para ajudar.
— Assistente da família imperial sobre a vida dos Habsburgos exilados na Madeira[46] |
” |

Em 9 de março, Carlos saiu com os filhos até o Funchal para comprar um presente de aniversário de 4 anos para seu quarto filho, Carlos Luís.[47] Durante essa saída, acabou pegando um resfriado, mas, preocupado com os custos médicos, decidiu não consultar um médico. A doença foi se agravando gradualmente, até que Carlos passou a sofrer de dificuldades respiratórias. Zita, alarmada, chamou um médico, que diagnosticou que um dos pulmões já estava comprometido.[47] Apesar dos esforços para tratá-lo, a infecção se espalhou e atingiu também o outro pulmão. De seu leito de morte, Carlos teria dito a Zita: Preciso sofrer para que meu povo possa um dia voltar a estar unido.[48]
Carlos deixou um testamento no qual disse a Zita: De agora em diante, contarei com o rei Afonso XIII da Espanha, que prometeu ajudar minha família. A declaração de que não sou rei da Hungria é inválida.[49] Carlos morreu às 12h23 do dia 1 de abril de 1922.[50] Ele tinha apenas 34 anos. Afonso XIII declarou mais tarde que na noite da morte de Carlos, ele de repente sentiu o dever de cuidar de Zita e seus filhos.[49] Estima-se que 30.000 pessoas compareceram ao seu funeral.
Zita faleceu em 14 de março de 1989, aos 96 anos, mais de sessenta anos após a morte de Carlos. Seu funeral foi celebrado em 1 de abril na Catedral de Santo Estêvão, em Viena, data escolhida propositalmente por coincidir com o aniversário da morte de Carlos, em 1922, na ilha da Madeira.[51] Os corações de Zita e Carlos foram colocados em urnas e repousam na Abadia de Muri, enquanto o restante dos restos mortais de Carlos permanece no Funchal, na Madeira.[51] Na cripta imperial da Capela dos Capuchinhos, em Viena, foi instalada uma escultura de busto de Carlos no lugar de um caixão.
Beatificação
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Alguns líderes da Igreja Católica elogiaram Carlos por colocar primeiro sua fé cristã na tomada de decisões políticas, e por seu papel como um pacificador durante a guerra, especialmente depois de 1917. Eles consideraram que o seu governo breve expressa a doutrina social católica romana, e que criou um quadro jurídico social em parte ainda sobrevivente.
O Papa João Paulo II declarou Carlos bem-aventurado em uma cerimônia de beatificação realizada no dia 3 de outubro de 2004. Na ocasião, declarou:
“ | A tarefa decisiva do cristão consiste em buscar, reconhecer e seguir a vontade de Deus em todas as coisas. O estadista cristão, Carlos da Áustria, enfrentou este desafio todos os dias. Aos seus olhos, a guerra apareceu como "algo terrível". Em meio ao tumulto da Primeira Guerra Mundial, ele se esforçou para promover a iniciativa de paz do meu predecessor, Bento XV.[52] | ” |
Desde o início, Carlos concebeu o seu cargo como um serviço sagrado para seu povo. Sua principal preocupação era seguir a vocação cristã à santidade também em suas ações políticas. Por este motivo, seus pensamentos se voltaram para a assistência social.
A causa ou campanha para a sua canonização começou em 1949, quando o testemunho da sua santidade foi coletado na Arquidiocese de Viena. Em 1954, a causa foi aberta e ele foi declarado servo de Deus, o primeiro passo no processo. A Liga de Oração estabelecida para a promoção da sua causa criou um site,[53] e o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, patrocinou a causa.
Acontecimentos recentes
[editar | editar código fonte]- Em 14 de abril de 2003, a Congregação do Vaticano para as Causas dos Santos, na presença de João Paulo II, consagrou Carlos por virtudes heróicas, e ele, assim, adquiriu o título de venerável.
- Em 21 de dezembro de 2003, a congregação certifica, com base em três estudos médicos, que um milagre, em 1960, ocorreu por meio da intercessão de Carlos. O milagre atribuído a ele foi a cura cientificamente inexplicável de uma freira brasileira com varizes debilitantes; ela foi capaz de sair da cama depois que ela orou por sua beatificação.[54]
- Em 3 de outubro de 2004, ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II. O Papa também declarou em 21 de outubro, a data do casamento em 1911 de Carlos com a princesa Zita, o dia de sua festa. A beatificação causou polêmica porque Carlos supostamente autorizou o exército austro-húngaro a utilizar gás venenoso, durante a Primeira Guerra Mundial.[55][56][57]
- Em 31 de janeiro de 2008, um tribunal da Igreja, após uma investigação de 16 meses, reconheceu formalmente um segundo milagre atribuído a Carlos (necessário para sua canonização como um santo na Igreja Católica). Curiosamente, a cura milagrosa foi alegada por uma mulher da Flórida que não era católica, mas batista. No entanto, devido às suas experiências, converteu-se ao catolicismo pouco depois.[58]
Casamento e descendência
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Casou-se em 21 de outubro de 1911 com a princesa Zita de Parma, de quem teve oito filhos:
Nome | Nascimento | Morte | Notas |
---|---|---|---|
Oto de Habsburgo-Lorena | 20 de novembro de 1912 | 04 de julho de 2011 | Herdeiro de Carlos, casou-se em 1951 com a princesa Regina de Saxe-Meiningen, com quem teve sete filhos. |
Adelaide da Áustria | 3 de janeiro de 1914 | 2 de outubro de 1971 | Morreu solteira. |
Roberto da Áustria-Este | 8 de fevereiro de 1915 | 7 de fevereiro de 1996 | Casou-se em 1953 com Margarida de Saboia-Aosta. Teve cinco filhos. |
Félix da Áustria | 31 de maio de 1916 | 6 de setembro de 2011 | Casou-se em 1952 com a princesa Ana Eugênia de Arenberg, na qual gerou sete filhos. |
Félix da Áustria | 10 de março de 1918 | 11 de dezembro de 2007 | Casado em 1950 com a princesa Iolanda de Ligne. Teve quatro filhos. |
Rodolfo da Áustria | 5 de setembro de 1919 | 15 maio de 2010 | Casado em 1953 com a condessa Xenia Tschernyschev-Besobrasoff, com quem teve quatro filhos. Casou-se novamente em 1971 a princesa Ana Gabriele de Wrede, com teve uma criança. |
Carlota da Áustria | 1 de março de 1921 | 23 julho de 1989 | Casou-se em 1956 com Jorge, Duque de Mecklenbugo-Strelitz.. |
Isabel da Áustria | 31 de maio de 1922 | 07 de janeiro de 1993 | Casada em 1949 com o príncipe Henrique Carlos Vicente de Liechtenstein. Teve cinco filhos. |
Ancestrais
[editar | editar código fonte]Ancestrais de Carlos I da Áustria | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Títulos e estilos
[editar | editar código fonte]Estilo imperial e real de tratamento de Carlos I da Áustria | |
![]() Monograma de Carlos | |
Estilo imperial | Sua Majestade Imperial |
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Estilo real | Sua Majestade Apostólica |
Estilo alternativo | Senhor |
Títulos e estilos
[editar | editar código fonte]- 17 de agosto de 1887 – 28 de junho de 1914: Sua Alteza Imperial e Real, o Arquiduque Carlos da Áustria, Príncipe da Hungria, Boêmia e Croácia[59]
- 28 de junho de 1914 – 21 de novembro de 1916: Sua Alteza Imperial e Real, o Arquiduque da Áustria-Este
- 21 de novembro de 1916 – 3 de abril de 1919: Sua Majestade Imperial e Real Apostólica, o Imperador da Áustria, Rei Apostólico da Hungria, Boêmia, Croácia, Eslavônia e Dalmácia
O estilo oficial de Carlos como Imperador era: Pela Graça de Deus, Imperador da Áustria, Rei da Hungria, Rei da Boémia, de Dalmácia, Croácia, Eslovênia, Galícia, Lodoméria e Ilíria; Rei de Jerusalém, etc… Arquiduque da Áustria, Grão-Duque de Toscana e Cracóvia, Duque de Lorena e Salzburgo, de Estíria, Caríntia, Carníola e Bucovina; Grão-príncipe da Transilvânia; marquês da Morávia; Duque da Alta e da Baixa Silésia, de Módena, Parma e Placência e Guastalla, de Auschwitz, Zator e Teschen, Friul, Ragusa e Zara; conde de Habsburgo e Tirol, de Ciburgo, Gorízia e Gradisca; Príncipe de Trento e Brixen; marquês da Alta e da Baixa Lusácia e da Ístria; Conde de Hohenems, Feldkirch, Bregenz, Sonnenberg, etc…; Senhor de Trieste, de Cattaro, e de Marca Wendia; Grão Voivoda da Sérvia.
Honras
[editar | editar código fonte]- Áustria-Hungria:[59]
- Cavaleiro do Tosão de Ouro, 1905[60]
- Grã-Cruz da Ordem Militar de Maria Teresa, 1917[61]
- Cavaleiro Grande Oficial da Ordem da Cruz do Mérito Militar
- Medalha de Bronze do Mérito Militar, em fita vermelha, pré-1915; Ouro ("Signum Laudis")
- Cruz Militar para o 60.º ano do reinado de Francisco José
- Família Grão-ducal da Toscana: Grã-Cruz de São José[62]
- Ordem Soberana e Militar de Malta: Bailiff Grã-Cruz de Honra e Devoção, com Distinção por Jerusalém[63]
- Reino Unido:[59]
- Grã-Cruz Honorária da Real Ordem Vitoriana
- Medalha Comemorativa da Coroação do Rei Jorge V
- Reino da Prússia:[59]
- Cavaleiro da Águia Negra
- Pour le Mérite (militar), 20 de maio de 1916; com folhas de carvalho, 6 de dezembro de 1916[64]
- Cruz de Ferro, 1ª e 2ª classes
- Reino da Baviera:
- Cavaleiro de Santo Huberto, 1908
- Grã-Cruz da Ordem Militar de Maximiliano José
- Reino da Saxônia:
- Cavaleiro da Coroa de Arruda[59]
- Grã-Cruz da Ordem Militar de Santo Henrique
- Bélgica: Grande Cordão da Ordem de Leopoldo[59]
- Mecklemburgo: Grã-Cruz da Coroa Wendish , com Coroa em Minério[59]
- Reino da Bulgária:
Notas
Referências
- ↑ a b c CARLOS DE ÁUSTRIA (1887-1922). Notícias do Vaticano
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 89.
- ↑ Hoffman 2014, p. 280.
- ↑ Pribram, Alfred Francis (1922). "Charles". In Chisholm, Hugh (ed.). Encyclopædia Britannica (12th ed.). London & New York: The Encyclopædia Britannica Company.
- ↑ Emura 2013, p. 388.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 54.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 53.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 60.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 61.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 62.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 67.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 96.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 105.
- ↑ a b Emura 2013, p. 412.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 113.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 114.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 120.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 127.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 128.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 139.
- ↑ Griesser Pečar 1995, p. 146.
- ↑ Griesser Pečar 1995, p. 125.
- ↑ a b Emura 2013, p. 421.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 160.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 158.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 163.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 182.
- ↑ a b Bauer 1989, p. 89.
- ↑ Jelavich 1994, p. 131.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 226.
- ↑ Griesser Pečar 1995, pp. 222-223.
- ↑ Griesser Pečar 1995, p. 224.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 230.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 232.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 234.
- ↑ Griesser Pečar 1995, pp. 238-239.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 242.
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- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 247.
- ↑ a b c Griesser Pečar 1995, p. 251.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 252.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 255.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 261.
- ↑ Griesser Pečar 1995, p. 279.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 280.
- ↑ Griesser Pečar 1995, p. 288.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 289.
- ↑ Wheatcroft 2009, p. 368.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 293.
- ↑ Emura 2013, p. 422.
- ↑ a b Griesser Pečar 1995, p. 360.
- ↑ «Beatification of five servants of God - Homily of John Paul II». Consultado em 24 de julho de 2014
- ↑ «Emperor Charles.org». Consultado em 24 de julho de 2014
- ↑ «BBC Brasil». www.bbc.com. Consultado em 4 de abril de 2023
- ↑ «Historians Question the Beatification of Blessed Charles – DW – 01/19/2004». dw.com (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2023
- ↑ «Austria's holy uproar». NBC News (em inglês). Consultado em 4 de abril de 2023
- ↑ Mutschlechner, Martin. «A Beatificação do Imperador Carlos I». Die Welt der Habsburger. Consultado em 4 de abril de 2023
- ↑ «A Miracle from Blessed Charles». Andrew Cusack (em inglês). 14 de abril de 2008. Consultado em 4 de abril de 2023
- ↑ a b c d e f g Hof- und Staatshandbuch der Österreichisch-Ungarischen Monarchie (1915), Genealogy p. 2
- ↑ «ÖNB-ALEX - Staatshandbuch». alex.onb.ac.at. Consultado em 20 de fevereiro de 2025
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- ↑ «Orden Pour le Mérite». web.archive.org. 31 de outubro de 2019. Consultado em 20 de fevereiro de 2025
- ↑ Almanach de Gotha. Allen County Public Library Genealogy Center. [S.l.]: Gotha, Germany : Justus Perthes. 1923
- ↑ «Rekomendasi Judi Online | Slot Online | Live Casino | Togel Online». Rekomendasi Judi Online | Slot Online | Live Casino | Togel Online (em inglês). Consultado em 20 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2024
Bibliografia
[editar | editar código fonte]- Emura, Hiroshi. Francisco José: o Último Imperador dos Habsburgos, Tokyo Shoseki, 2013. ISBN 978-4-309-41266-5.
- Griesser Pečar, Tamara. Zita: A Última Imperatriz dos Habsburgos, Shinshokan, 1995. ISBN ISBN 4-403-24038-0.
- Wheatcroft, Andrew. Os Imperadores Habsburgos: Encarnando o Império, Bunrikaku, 2009. ISBN 978-4-89259-591-2.
Ligações externas
[editar | editar código fonte]- Beato Carlos, o Imperador da Paz (padrepauloricardo.org)
- Carlos de Áustria (1887-1922), biografia (vatican.va)
Carlos I da Áustria Casa de Habsburgo-Lorena Ramo da Casa de Lorena 17 de agosto de 1887 – 1.º de abril de 1922 | ||
---|---|---|
Precedido por: Francisco José I |
![]() Imperador da Áustria Rei da Hungria, Croácia e Boêmia 21 de novembro de 1916 – 11 de novembro de 1918 |
Monarquia abolida |