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Bernardo Gui

 Nota: Para outros significados de Bernardus, veja Bernardus (desambiguação).
Arbor genealogiae regum Francorum, de Bernardo Gui, mostrando a consanguinidade dos reis da França.

Bernardo Gui (1261 ou 126230 de Dezembro de 1331) foi um inquisidor francês da Ordem Dominicana, que atuou na Baixa Idade Média durante a Inquisição medieval. Bernardo Gui também foi bispo de Lodève e um dos escritores mais prolíficos de seu tempo. Poderoso, passou a ser um dos nomes mais temidos, odiados e respeitados de sua época, dentro e fora da Igreja, porque defendia seus ideais com ferrenha voracidade, inquirindo contra os albigenses, sob o comando do Papa Clemente V, entre 1307 e 1323. Como inquisidor dominicano julgou ao longo de sua vida mais de 900 casos, condenando 43 (aproximadamente 7% do total).[1][2]

Bernardus Guidonis nasceu em Royéres, no Limousin, provavelmente em 1261. Tornou-se religioso aos 19 anos, ingressando ao noviciado do convento dominicano de Limoges. Foi decano de Albi dez anos mais tarde (1290) e de outros povoados, para logo ser nomeado Grande Inquisidor de Toulouse entre 1308 e 1323.

Durante seu mandato, Gui realizou onze "sermões gerais" na catedral de São Estêvão em Toulouse e no cemitério de São João Mártir em Pamiers, nos quais julgou 627 indivíduos culpados de heresia. Outros nove indivíduos também foram julgados culpados em eventos menores. [3]

No total, os tribunais presididos por Gui condenaram 636 indivíduos por 940 acusações de heresia. No século XIX, o consenso entre os historiadores era de que Gui havia organizado a queima de mais de seiscentas pessoas. No entanto, pesquisas mais recentes determinaram que não mais do que 45 dos indivíduos condenados por Gui (aproximadamente 7% do total) foram executados, enquanto 307 foram presos, 143 ordenados a usar cruzes e nove enviados em peregrinações obrigatórias.[2][1]

O fim da Inquisição

O fim do cargo da inquisição é a destruição da heresia; esta não pode ser destruída, a menos que os hereges sejam destruídos. . . . Os hereges são destruídos de maneira dupla: primeiro, quando são convertidos da heresia para a verdadeira fé católica... em segundo lugar, quando são entregues à jurisdição secular para serem físicamente queimados.

Bernardo Gui, citado em A History of Medieval Heresy and Inquisition, de Jennifer Kolpacoff Deane

Enquanto exerceu o cargo, teve que fazer frente a três grandes tipos de heresia de sua época: O catarismo, o valdismo e o beguinismo. Sua ascensão ao episcopado foi outorgado peloPapa João XXII em reconhecimento pelos seus serviços. Historiador e agiógrafo de sua ordem, é autor de numerosas obras de grande importância.

Em seu livro O Nome da Rosa, Umberto Eco inclui Bernardo Gui como um dos personagens da história, adaptada para o cinema em 1986 e para a TV em 2019, tendo o personagem sido interpretado respectivamente pelos atores F. Murray Abraham e Rupert Everett.


Obras principais

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  • Liber Sententiarum Inquisitionis ("Livro das Sentenças da Inquisição"): uma espécie de "manual" do Tribunal, em que estabelecia instruções, procedimentos e a organização do cerimonial a ser utilizado.
  • Practica Inquisitionis Heretice Pravitatis ("Uma investigação prática do desvio herético"): Uma manual para detetar as mulheres acusadas de bruxaria e como agiam e quais eram suas práticas.

doi:10.1353/ten.1989.0005 ISSN 1944-0146

Ligações externas

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  1. a b Dane, Joseph A. (1989). «Inquisitorial Hermeneutics and the Manual of Bernard Gui». Tenso (2): 59–76. ISSN 1944-0146. doi:10.1353/ten.1989.0005. Consultado em 1 de março de 2025 
  2. a b Given, James (1 de abril de 1989). «The Inquisitors of Languedoc and the Medieval Technology of Power». The American Historical Review (2): 336–359. ISSN 0002-8762. doi:10.1086/ahr/94.2.336. Consultado em 1 de março de 2025 
  3. Peters, Edward (1989). Inquisition. Berkeley Los Angeles: Univ. of California Pr